A
Condição Divina de Filho (de Deus)
O
terceiro dogma cristão é o
de que Jesus era o Filho de Deus num sentido especial e exclusivo. Este dogma
também não é coerente com os ditos e ensinamentos de Jesus (que a Paz esteja
sobre ele). Na Bíblia, essa expressão foi usada também em relação a muitos
dos outros profetas anteriores. Por exemplo, Israel foi chamado de "Filho
de Deus" num dos livros de Moisés(que a Paz esteja sobre ele):
"E
tu lhe (ao Faraó) dirás: Assim disse o Senhor, Israel é Meu filho, Meu primogênito."
(Êxodo 4:22).
Nos Salmos, o mesmo título foi atribuído a Davi (que a Paz esteja sobre ele):
"Eu
promulgarei o decreto: pois o Senhor me há dito, És o Meu Filho, neste dia Eu
te gerei." (I
Salmos 2:7).
Um
pouco mais adiante na Bíblia, Salomão também é chamado de Filho de Deus:
"Ele
edificará uma casa para o Meu nome e ele será Meu filho, e Eu serei seu Pai, e
Eu estabelecerei o trono do seu reino sobre Israel para sempre."
(I Livro das Crônicas
22:10).
Esta
frase não significou nada mais que aproximidade a Deus pelo amor. O próprio
fundador do Cristianismo disse que todo aquele que cumprisse a vontade do Pai
Celeste era um filho de Deus. Era o realizar uma vida de devoção e de
comportamento bondoso e misericordioso que tornava um homem digno de ser chamado
de filho de Deus. Não é isso que Jesus diz nos seguintes ditos(?):
"Amai
os vossos inimigos...
para que sejais filhos do vosso Pai que está nos Céus... "
(Mateus 5:44-45).
"Bem-aventurados
são os pacificadores; pois eles serão chamados filhos de Deus."
(Mateus 5:9 - Sermão da
Montanha).
Estes ditos não deixam qualquer dúvida em nossa mente quanto ao que essa frase representa a Jesus(que a Paz esteja sobre ele). Em vista disso, não há nenhum justificativa para se ver Jesus como Filho de Deus em um sentido exclusivo ou distinto.
Jesus chamava-se em geral de "filho do homem",' mas quando se referia a si próprio como "filho de Deus", o era, sem dúvida, no mesmo sentido com que Adão, Israel, Davi e Salomão (que a Paz esteja sobre eles); haviam sido chamados filhos de Deus antes dele e com o qual ele havia falado daqueles que tem amor no coração e convivem em paz com os seus semelhantes dizendo-os "filhos de Deus".
As
seguintes observações de Jesus reforçarão ainda mais a interpretação de
que era somente num sentido metafórico que ele se denominava ser um filho de
Deus:
"Jesus
respondeu-lhes: Não está escrito na vossa lei. Eu disse: Vós sois deuses?. Se
Ele chamou de deuses aqueles a quem fora revelada a palavra de Deus, e a
Escritura não pode ser renegada; dizeis a quem o Pai santificou e enviou ao
mundo, Blasfemas, por eu ter dito que sou filho de Deus."
(João 10:34-36).
Jesus
estava evidentemente se referindo ao Salmo 81, versículos 6 e 7:
"Tenho,dito:
Sois deuses; e todos vós sois filhos do Altíssimo. Mas morreres como homens e
caireis como um dos príncipes."
Como
os juízes e profetas da antiguidade eram chamados "deuses" somente em
sentido metafórico, também assim Jesus se chamava de "filho de
Deus". Está claro que para Jesus o termo "filho de Deus" não
possuía qualquer significado especial além daquele que a linguagem da Bíblia
lhe permitia. Não há nenhum caso que individualize Jesus como o Filho de Deus
em um sentido especial ou literal, como o fizeram os cristãos.
O
Sagrado Alcorão, numa linguagem enérgica rejeita o dogma de que Jesus era o
Filho de Deus num sentido literal ou exclusivo. Ele diz:
"E
eles dizem: Deus teve um filho! Glorificado seja! Pois a Deus pertence tudo
quanto existe nos céus e na terra, e tudo está consagrado a Ele."
(Alcorão Sagrado 2:116).
"É
inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! Quando decide uma
coisa, basta-Lhe dizer: Seja! e é."
(Alcorão Sagrado 19:35).
A
razão e o bom senso estão mais uma vez do lado do Islam. A filosofia nos diz
que nenhum ser que possa gerar um outro de si para que este exista como um indivíduo
separado e se torne igual e parceiro dele, pode ser considerado como perfeito.
Atribuir um filho a Deus seria negar a perfeição de Deus.(17)