A Divindade de Jesus

O segundo dogma cristão é o da Divindade de Jesus, O credo atanasiano afirma:

"Outrossim, é necessário para a salvação eterna que ele (o homem) acredite piamente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.”

Os cristãos (tanto os católicos-romanos como os protestantes) acreditam que Jesus é Deus por toda a eternidade, a Segunda Pessoa da Divina Trindade; de que há quase dois mil anos atrás resolveu aparecer em um corpo humano e foi gerado da Virgem Maria.

O autor do Ensinamento Católico, afirma a Divindade de Jesus nas seguintes palavras:

"Este ensinamento sobre a divindade de Cristo, encontrada em tantos lugares da escritura, sempre foi proclamada pela Igreja como uma das verdades mais importantes da fé católica. O Concilio de Nicéia, que foi o primeiro Concílio Geral depois do fim das perseguições, solenemente condenou Arius, que havia contestado que Cristo não era Deus e sim uma criatura (humana)."(15)

O autor protestante de The Truth of Christianity (A verdade do Cristianismo), expressa sobre este assunto como segue:  

"Evidentemente, esta expressão, o Filho de Deus, significava para ele (João) e presumivelmente também para os outros escritores do Novo Testamento, que a usam com freqüência, que Cristo era veramente Deus - Deus o Filho - no sentido mais pleno e mais completo." (16)

Ele falava de Deus como:

"Meu Pai e o vosso Pai, e meu Deus e o vosso Deus." (João 20:17)

Estas palavras de Jesus relatadas na Bíblia demonstram que Jesus tinha a mesma relação a Deus que qualquer outro homem. Ele era uma criatura de Deus.

Em sua agonia na Cruz, Jesus exclamou:

"Eloi, Eloi, lamma sabachthani? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Marcos 15:34)

Pode alguém imaginar tais palavras sendo pronunciadas por Deus? O que temos aí é o grito de um homem indefeso e agonizante dirigido ao seu Criador e Senhor. Deus é o objeto do nosso culto, o Ser Supremo a quem nós criaturas dirigimos nossas preces. Não podemos imaginar Deus dirigindo súplicas a outrem. E no entanto, a respeito de Jesus (que a Paz esteja sobre ele); está escrito nos Evangelhos:

"E tendo mandado voltar a multidão, ele subiu por uma montanha sozinho, para rezar."

"E bem cedo pela madrugada, saiu, e indo para um lugar solitário, aí rezou." (Marcos 1:35). 

"E ele retirava-se para lugares ermos e fazia oração." (Lucas 5: 16).

O fato é que Jesus (que a Paz esteja sobre ele); jamais alegou ser Deus, mas tão-somente um profeta ou mensageiro de Deus. Ele era um homem a quem Deus havia revelado Sua mensagem para transmitir aos outros homens. No dizer de suas próprias palavras:

"Jesus disse-lhes: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim, que sou um homem que vos disse a verdade que ouvi de Deus." (João 8:39 e 40)

 "Ora a vida eterna é esta: Que te conheçam a Ti como um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 7:3)

Estas palavras de Jesus (que a Paz esteja sobre ele); provam, primeiro, que só há um Ser Divino e que Jesus (que a Paz esteja sobre ele); nada sabia da Trindade ("a Ti, como um só Deus verdadeiro"); segundo, que Jesus (que a Paz esteja sobre ele); não tinha pretensão de ser Divino, pois ele se referia a um Ser outro que não ele próprio "Ti"como o único Deus; terceiro, que Jesus (que a Paz esteja sobre ele); só se afirmava ser um mensageiro de Deus ("a Jesus Cristo (como) a quem enviaste.").

Assim como a da Trindade, a doutrina da Encarnação também foi desenvolvida muito depois de Jesus. Na verdade, podemos rastrear as etapas da divinização gradual de Jesus (que a Paz esteja sobre ele). No "Q" ele era visto como um profeta de Deus, como um ser humano e nada mais; no "Urmarcus" houve urna tentativa de jubilar a sua pessoa e atribuir-lhe muitos milagres; em obras do primeiro e segundo séculos ele era apresentado como um poderoso anjo; e finalmente, no prefácio do Evangelho de João e outras obras dos terceiro e quarto séculos, ele foi feito Deus. Nos Credos Nicenos (ano 325 da era Cristã), contestavam-se os cristãos que ainda negavam a divindade de Jesus:

"Eu creio em ... um Senhor Jesus Cristo, o único Filho gerado de Deus. Nascido do Pai antes de todos os tempos, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro originado do Deus verdadeiro. Gerado e não criado; da mesma essência que a do Pai."

A razão recusa-se a aceitar um homem nascido de urra mulher, que tenha passado por todas as vicissitudes, desconhecimentos e limitações humanas, e que só gradativamente cresceu em estatura, poder e sabedoria, como todos os outros seres humanos, como Deus. Impor as limitações humanas a Deus e crer na Sua encarnação num corpo humano é negar a perfeição de Deus.

O dogma da Encarnação foi introduzido no Cristianismo, como tantas outras noções cristãs, assimilado do paganismo. Nas mitologias pré-cristãs, freqüentemente encontramos heróis sendo considerados como um Deus. Os hindus, mesmo hoje, cultuam seus antigos heróis, Rama e Krishna, como encarnações de Vishnu, a segunda pessoa da Trindade hindu.

O Islam libertou seus seguidores da dependência de tais superstições, rejeitando o dogma da Encarnação. O Sagrado Alcorão rejeita a divindade de Jesus com as seguintes palavras:

"São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, Filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias houvera dito: Ó Israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e o vosso.’’ (Alcorão Sagrado 5:72).

"O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, a quem Ele criou da Terra; então lhe disse: Seja e foi." (Alcorão Sagrado 3:59).

De acordo com o Livro Sagrado do Islam, Jesus (que a Paz esteja sobre ele); foi um Profeta de Deus, sem pecados, puro e devoto, como todos os outros profetas, mas um ser humano, não mais que isso.

"Ele (Jesus) lhes disse: Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou profeta." (Alcorão Sagrado 9:30).

O ponto de vista islâmico é o de que os profetas, todos eles, foram seres humanos que, por virtude da devoção deles à verdade e a uma vida sem pecados, tornaram-se dignos de serem escolhidos por Deus como Seus mensageiros.

Eles haviam-se identificado tão completamente com Deus que em tudo que diziam ou faziam, cumpriam a Vontade d'Ele. A mensagem que eles deram aos homens não era proveniente deles e sim de Deus. Deus comunicou a Sua palavra a eles, para que pudessem formular as suas vidas de acordo com ela e tornarem-se exemplos para os seus semelhantes. O Profeta Muhammad afirmou:

"Dize-lhes. Sou tão-somente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que vosso Deus é um Deus único. Consagrai-vos, pois, a Ele e implorai-Lhe perdão!" (Alcorão Sagrado 41:6).



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