A
segunda parte da doutrina cristã da redenção é a de que a justiça de Deus
exige que se pague um preço pelo pecado original e por outros pecados do homem.
Se Deus fosse perdoar um pecador
sem puni-lo, isto seria uma negação da Sua justiça. O Reverendo W. Goldsack
escreve assim a esse respeito:
"Deveria
estar claro como o dia a qualquer um que Deus não pode quebrar a Sua própria
lei; Ele não pode perdoar um pecador sem antes aplicar-lhe uma punição
apropriada. Pois se Ele assim fizesse, quem o chamaria de Justo e Igualitário?"
(20)
Esse ponto de vista demonstra a ignorância total da natureza de Deus. Deus não é um simples juiz ou rei. Ele é, como o Alcorão O descreve: "Soberano do Dia do juízo". Ele não só é justo, mas também Clemente e Misericordioso. Se Ele encontra algum bem em um homem ou vê que ele está sinceramente arrependido, e que tem uma vontade sincera de eliminar o mal que há dentro dele, então Ele pode perdoá-lo por suas falhas e pecados completamente.
E
a isto, por um esforço de imaginação, quer-se chamar de violação da justiça
d'Ele. Afinal, o único motivo apropriado para punir é o de conter o mal e
reformular o ofensor. Punir uma pessoa por seus pecados passados, depois que ela
tenha se arrependido e se reformulado, é um sinal de vingança e não de justiça.
Um Deus, cuja "justiça" requeira compensação de cada deslize e
pecado do homem, não é melhor que Shylock. (21)
O Deus que nós adoramos, o Criador e Provedor de todos os mundos, é o Deus do amor e da misericórdia. Se Ele prescreve uma lei e um caminho, e exige-lhes obediência, não será para o bem d'Ele, mas sim para o bem da humanidade. E se Ele pune um homem pelas faltas e pecados deste, não o faz para Sua própria satisfação ou compensação, como proclama o dogma cristão, mas sim para conter o mal e purificar o pecador.
O próprio Inferno é como um hospital, onde os que estão espiritualmente doentes, aqueles que estão acometidos pelas doenças da malícia, do ódio, do egoísmo, da insensibilidade, da falsidade, da desonestidade, da ganância, da obscenidade, da arrogância etc., são curados através do fogo do sofrimento e do remorso.
Mas aqueles que tem o anseio persistente de praticar o bem e os sinceramente arrependidos encontrarão Deus sempre pronto a perdoar-lhes as falhas e pecados sem exigir qualquer compensação por isso ou de quem quer que seja. Não foi isto que o Profeta Ezequiel proclamou nos versículos da Bíblia que citamos acima? E não foi isto o que Jesus pregou nas suas belas parábolas sobre a Ovelha Desgarrada, a Moeda Perdida e o Filho Pródigo?
Podemos atribuir a origem da doutrina que diz que a não ser que cada pecado seja compensado e alguém seja punido terá sido violada a justiça de Deus, ao homem que ensinou-nos a rezar a Deus com estas palavras: "Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores"?
Perdoar
um pecador depois de puni-lo, ou a alguém em seu lugar, não é de
maneira alguma perdão. Deus pode e perdoa as faltas e pecados daqueles em quem
Ele vê a verdadeira bondade e aqueles que renegaram às suas iniqüidades e se
reformularam, sem puni-los ou a quem quer que seja no lugar deles, e isto não
contraria a justiça de Deus. Na verdade, esta é a única verdadeira clemência.
Por isso, encontramos no Alcorão:
"Dize:
Ó servos Meus, que se excederam e que queiram se converter! Não desespereis da
misericórdia de Deus; certamente, Ele perdoará a todos os pecados, porque Ele
é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. E voltai contritos a vosso Senhor e
submetei-vos a Ele antes que vos açoite o castigo subitamente, sem c
perceberdes."
(Alcorão Sagrado 39:53 e
54).
"Quem
cometer uma má ação ou se condenar e então (se arrepender), implorar o perdão
de Deus, sem dúvida achá-Lo-á Indulgente, Misericordiosíssimo. Quem cometer
um pecado, fá-lo-d em prejuízo próprio, porque Deus é Sapiente, Prudentíssimo."
(Alcorão Sagrado 4:110 e
111).