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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!


A Morte e a Aniquilação

A morte: é a separação do homem da vida. A aniquilação: é a eliminação de algo, pondo fim à sua existência.

A morte do homem nesta vida terrena é a introdução à vida eterna no outro mundo. A morte, portanto, não é o fim da existência, mas é a introdução à eternidade. Por causa da existência da outra vida, deve-se aniquilar esta vida terrena. A aniquilação de tudo é uma realidade incontestável.

Tudo que Deus criou nesta vida leva o estigma de sua aniquilação. Nunca conhecemos um homem eterno, nem animal nem vegetal. Quantas nações decaíram após a sua glória; quantas civilizações desapareceram e quantos povos foram aniquilados.

Apesar de presenciarmos a morte e a aniquilação em nós mesmos e no que nos rodeia, não conseguimos desvendar as suas realidades. O nosso julgamento da morte do homem provém dos acontecimentos posteriores à morte, com a estagnação e a incapacidade de movimento,  a paralisação das batidas do coração, do cérebro, e da respiração.

Se desconhecemos a realidade da morte que presenciamos em nós mesmos e nos que nos rodeiam, que diria com a aniquilação das plantas e dos animais e dos materiais e de tudo que nos rodeia neste mundo, conhecido e desconhecido?

Devemos, então, deixar a realidade da aniquilação dessas coisas com Quem as criou. Ele é o único Conhecedor de sua realidade e só nos resta crermos no fato de sua aniquilação. Deus disse:

"O prazer da vida terrena equipara-se à água que enviamos do céu, a qual mistura-se com as plantas da terra, de que se alimentam os homens e o gado; e quando a terra se enfeita e se engalana, a ponto de seus habitantes crerem ser seus senhores, açoita-a Nosso desígnio, seja à noite ou de dia, deixando-a desolada como se, na véspera, não houvesse sido verdejante. Assim elucidamos os versículos à aqueles que refletem." (Alcorão Sagrado, 10ª Surata, versículo 24).

Apesar do conhecimento da realidade de aniquilação ser de Deus, Ele nos apresenta pequenas amostras dessa aniquilação, perdição e destruição, em vista dos quais o homem não pode negar que a aniquilação e a destruição deste mundo esteja distante, e é inevitável. Eis algumas dessas amostras:

a) Os Terremotos: Lemos muito a respeito dos terremotos destruidores; de como eles soterram cidades inteiras, apagando seus vestígios. O homem nada pode fazer para controlar os terremotos. Ele não sabe quando ocorrerá e onde ocorrerá a destruição.

Quem causa os terremotos numa parte da terra, pode fazê-los ocorrerem em todas as partes da terra e com isso causar a aniquilação. Esses terremotos são um minúsculo quadro que não pode ser comparado à convulsão da Hora. Deus diz:

"Ó humanos temei a vosso Senhor, porque a convulsão da Hora Será algo terrível. O dia em que a presenciardes, cada nutriente esquecerá o filho que amamenta; toda gestante abortará; tu verás os homens como ébrios, embora não o estejam, porque o castigo de Deus será severíssimo" (Alcorão Sagrado, 22ª Surata, versículos 1-2).

E diz:

"Quando a terra executar o seu predestinado tremor, e descarregar os seus fardos, o homem dirá: Que ocorre a ela? Nesse dia ela declarará suas notícias, porque teu Senhor lhas terá revelado." (Alcorão Sagrado, 99ª Surata, versículos 1-5).

Wadib Eddin Khan diz: "O primeiro fenômeno que nos admoesta da possibilidade da Ressurreição é o terremoto. O bojo da terra possui elementos de alta temperatura que vemos quando das atividades vulcânicas. Esses elementos tem influência sobre a terra de várias maneiras. Há a ocorrência de estrondos aterradores; há a ocorrência de tremores de terra, que chamamos de terremotos, que continuam sendo a causa de terror do homem contemporâneo <<apesar do progresso da ciência e das tecnologias>> como eram a causa de terror na vida do homem antigo. Estes terremotos são a indignação da natureza para com o homem, que é incapaz de a eles se opor. O homem nada possui para combater os terremotos, que são uma advertência para admoestarem-no que ele vive sobre uma substância vermelha, infernal, incandescente, separada dele por uma fina camada de cinqüenta quilômetros de espessura, e que essa camada, em relação da terra, não passa de uma casca de maçã".

O geógrafo Jorge Jamuf diz: "Ha um inferno natural, aceso sob os nossos verdes mares e cidades repletas de habitantes. Em outras palavras, estamos sobre uma mina formidável, de "dinamite" possível de explodir a qualquer hora, destruindo por completo o nosso sistema terreno.''

 b) Os Meteoros e os Vulcões: Os Meteoros são corpos incandescentes, que descem do céu sobre algo, e o aniquilam. Os Vulcões são montanhas que despeja pelas suas bocas lavas e substâncias incandescentes. Os meteoros e os vulcões são pequenas amostras do que acontecerá no Dia da Ressurreição.

As lavas não sairão apenas das bocas dos vulcões, mas virão das estrelas, dos astros, dos cometas cujos sistemas se romperão. Se o sistema de um astro se romper, todos os outros se desintegrarão e o interlaçamento deste Universo se romperá.

c) As Torrentes: As torrentes são formadas de uma quantidade enorme de água que, em sua marcha, destroem tudo que estiver em seu caminho. Quantas vezes lemos sobre torrentes que derrubaram viadutos e pontes, afogando pessoas, animais e vegetais, e destruindo cidades e vilas.

Elas não se desviam de nada e não avisam o homem de seu evento, nem o homem consegue pará-las. Se as torrentes aniquilam e destroem tudo, que aconteceria se os mares se transbordassem e toda a terra ficasse inundada?

Seria a aniquilação a destruição total. As torrentes que conhecemos não passam de urna gota, em relação aos oceanos, cujas ondas se elevam até alcançarem as nuvens. A visão do que acontecerá aterrorizará a todos, até aos animais. Deus diz:

"Quando o sol for encoberto, quando as estrelas se extinguirem, quando as montanhas estiverem dispersadas, quando as camelas com cria de dez meses forem abandonadas, quando as feras forem congregadas, quando os mares forem transbordados" (Alcorão Sagrado, 81ª Surata, versículos 1-6).

 E o que aconteceu a povos anteriores a nós são também pequenas amostras do Dia da Ressurreição. Quem quiser conhecer a verdade sobre isso, deve pesquisar, fazer escavações, percorrer a terra, para descobrir algo dessa verdade.

Se, por acaso, uma pessoa não viu uma cidade num determinado lugar, ou nunca ouviu dela falar, seria iniquidade patente basear a sua negação à existência dessa cidade nisso. Da mesma forma, se o Alcorão nos informa a respeito do que aconteceu aos povos antigos, o fato de não presenciarmos o ocorrido não é uma prova de sua não-ocorrência, nem a nossa negligência em procurar seus vestígios pode ser prova de sua não-existência.

Por isso o Alcorão nos estimula a pesquisarmos, adquirirmos conhecimento, percorrermos a terra para sabermos qual foi a sorte dos povos anteriores, de como foram aniquilados, juntamente com suas habitações. Deus disse:

"Dize-lhes: Percorrei a terra e observai qual foi a sorte daqueles que vos precederam; sua maioria era idólatra." (Alcorão Sagrado, 40ª Surata, versículo 42).

E disse:

"Acaso, não percorreram a terra para ver qual foi a sorte de seus antepassados: Eram superiores a eles em força e traços (que eles deixaram) na terra; porém, Deus os exterminou por seus pecados e não tiveram ninguém que os salvasse dos desígnios de Deus" (Alcorão Sagrado, 40ª Surata, versículo 21).

O Alcorão, além de ser a Palavra de Deus, veraz por excelência, cuida sempre de apresentar prova patente daquilo que ele indica, para que os ensoberbecidos e os ímpios não possam negá-lo.

A aniquilação de alguns povos anteriores a nós, apesar de ser uma verdade que reconhecemos, porque Deus nos informa a seu respeito, suas habitações abandonadas e destruídas, os corpos mumificados daqueles que alegaram ser divindades, são provas materiais, que nenhum fanático ou ímpio pode negar. Deus diz a respeito do povo de Lot:

"Perguntou Abraão: Qual é, então, a vossa incumbência, ó mensageiros? Responderam-lhe: Em verdade, fomos enviados a um povo de pecadores. Para que lançássemos sobre eles pedras de argila, destinadas, da parte de teu Senhor, para os transgressores; e evacuamos os crentes que nela (Sodoma) havia. Porém só encontramos nela urna família de submissos. E deixamos lá um sinal para aqueles que temem o doloroso castigo" (Alcorão Sagrado, 51ª Surata, versículos 31-37).

 As habitações do povo de Lot eram as cidades de Sodoma e Gomorra, próximas ao Mar Morto, conhecido pelo Mar de Lot, na Palestina e Jordânia. Quanto aos povos de Ad e Samud, disse Deus:

"E de quando Lot disse a seu povo: Verdadeiramente, cometeis obscenidades que ninguém no mundo cometeu antes de vós". (Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 29).

E disse a respeito do povo de Samud:

"Repara, pois, qual foi a sorte de sua conspiração! Exterminamo-los, juntamente com todo seu povo! E eis suas casas assoladas por causa de sua iniquidade. Em verdade, nisto há sinal para os sensatos". (Alcorão Sagrado, 27ª Surata, versículos 51-52).

Ibn Al Kassir diz: "O povo de Ad é o povo de Hud, que habitavam as dunas, localidade próxima de Hadramut, no lêmen.. O povo de Samud é o povo de Sáleh, que habitava Alhijr, próximo às terras de Alcurá, no Hijaz. Os árabes conheciam suas habitações e passavam por elas.'' (Ibn Al Kassir, volume 3, pag 413).

Disse Deus a respeito do Faraó:

"E fizemos atravessar o mar os israelitas; porém o Faraó, e seu exército perseguiram-nos iníqua e hostilmente até que, estando a ponto de afogar-se, o Faraó disse: Creio agora que não há mais deus que o Deus em que crêem os israelitas e sou um dos submissos! (E foi-lhe dito:) Agora crês, ao passo que antes havia-te rebelado e eras dos corruptores! Porém hoje salvamos tão-somente teu corpo para que sirvas de exemplo à tua posteridade. Em verdade há muitos humanos que estão negligenciando Nossos versículos". (Alcorão Sagrado, 10ª Surata, versículos 90-92).

O corpo do Faraó foi encontrado, com outros corpos, nos túmulos de Luxur, e está expostos hoje no museu do Cairo.

d) O Vento Assolador: Para aniquilar e destruir este Universo, Deus não necessita mais do que Sua vontade, pois Ele pode transformar algo que gera a vida em fonte de aniquilação e destruição. Os ventos, por exemplo, Deus os fez como fonte da vida para o homem, para os animais e para os vegetais. Os ventos carregam as nuvens, fazem ocasionar a chuva, e por seu intermédio as plantas são polinizadas. Deus diz:

"E entre Seus sinais está o de enviar ventos alvissareiros (prenunciantes de chuva) para agraciar-vos com Sua misericórdia, para que os navios singrem os mares com Seu beneplácito e para procurardes algo de Sua graça; quiçá o agradeçais". (Alcorão Sagrado, 30ª Surata, versículo 46).

E diz:

"Deus é Quem envia os ventos que agitam as nuvens, que as espalha no céu como Lhe apraz; logo as fragmenta, e observas a chuva manar delas, e quando a envia sobre quem Lhe apraz dentre Seus servos, eis que se regozijam" (Alcorão Sagrado, 30ª Surata, versículo 48).

Esses ventos, que são uma das fontes da vida animal e vegetal, Deus pode transformá-los em causa da aniquilação e destruição. Foi o que aconteceu com Ad, povo de Hud, quando seus membros se ensoberbeceram e negaram os versículos de Deus, pensando que seu poder poderia protegê-lo de Deus. Deus, então, fez soprar sobre eles um vento assolador, que a tudo reduzia a cinzas. E a sua destruição foi causada por uma das fontes de sua vida. Disse Deus:

"Mas quando viram aquilo (o castigo), como nuvens, avançando sobre seus vales, disseram: Esta é uma nuvem de chuva! Retrucou-lhes. Qual! É a (calamidade) que desejasses fosse urgida; um vento que encerra um doloroso castigo! Arrasará tudo, segundo os desígnios de seu Senhor! E, ao amanhecer, nada se via, além (das ruínas) de seus lares. Assim castigamos os pecadores" (Alcorão Sagrado, 46ª Surata, versículos 24-25).

E disse:

"E, quanto ao povo de Ad, foi exterminado por um furioso e impetuoso furacão, que Deus desencadeou sobre eles durante sete noites e cito nefastos dias, em que poderias ver aqueles homens jazentes como se fossem troncos desmoronados de tamareiras". (Alcorão Sagrado, 69ª Surata, versículos 6-7).

E o que aconteceu ao povo de Hud é outra pequena amostra do que poderá acontecer quando Deus quiser aniquilar o Universo. É uma prova material, que demonstra que a aniquilação e a destruição do Universo acontecerá quando Deus quiser.

 e) Os Estrondos e as Chuvas de Pedra: Deus açoitou muitos dos povos antigos com vários tipos de castigos por causa de sua incredulidade, sua negativa de obedecer aos profetas e sua soberbia. Foram açoitados com estrondos, chuvas de pedras e outros tipos de castigos. Alguns povos, como o povo de Lot, foram açoitados com todo tipo de castigos. A sua aniquilação e destruição foram causados por estrondo devastante, destruiu suas cidades e enviou sobre eles uma chuva de pedras. Disse Deus:

"Os anjos disseram-lhe: Ó Lot, somos os mensageiros de teu Senhor; eles jamais poderão atingir-te. Sai, pois, com tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de vós olhe para trás, salvo tua mulher, porque lhe acontecerá o mesmo que a eles. Tal sentença se executará ao amanhecer, Acaso, não está próximo o amanhecer? E quando se cumpriu o Nosso desígnio, reviramos a cidade nefasta e desencadeamos sobre ela uma ininterrupta chuva de pedras de argila endurecida, estigmatizados por teu Senhor; e isso não está distante dos iníquos" (Alcorão Sagrado, 11ª Surata, versículos 81-83).

E disse:

"E adoram em vez de Deus os que não podem proporcionar- lhes nenhum sustento, nem dos céus, nem da terra, por não terem poder para isso. Não compareis ninguém a Deus, porque Ele sabe e vós ignorais". (Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículos 73-74).

E disse:

"Disseram-lhe: Se não desistires, ó Lot, contar-te-ás entre os desterrados! Asseverou-lhes: Sabei que me indigna a vossa ação. ó Senhor meu, livra-me, juntamente com minha família, de quanto praticam. E o livramos com toda sua família, exceto uma anciã, que foi deixada atrás; então, destruímos os demais. E desencadeamos sobre eles um impetuoso torvelinho; e que péssimo foi o torvelinho para os admoestados" (Alcorão Sagrado, 26ª Surata, versículos 167-173).

Outros povos foram aniquilados por estrondo ou por outro tipo de castigo, como aconteceu com Samud, o povo de Sáleh. Disse Deus:

"Mas quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Sáleh e os crentes que com ele estavam, por Nossa misericórdia, do aviltamento daquele dia, porque teu Senhor é o Poderoso, o Fortíssimo. E o estrondo fulminou os iníquos, e a manhã encontrou-os jazentes em seus lares" (Alcorão Sagrado, 11ª Surata. versículos 66-67).

E disse:

"Sem dúvida que os habitantes de Alhijr haviam desmentido os apóstolos, apesar de lhes termos apresentado Nossos versículos; porém, eles os desdenharam, e lavraram suas casas nas montanhas, crendo-se seguros. Porém, o estrondo os fulminou ao amanhecer" (Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículos 80-83).

E disse:

"Repara, pois, qual foi a sorte de sua conspiração! Extermina-mo-los, juntamente com todo seu povo! E eis suas casas assoladas por causa de sua iniquidade. Em verdade, nisto há sinal para os sensatos" (Alcorão Sagrado, 27ª Surata, versículos 51-52).

E disse:

"E orientamos o povo de Samud; porém, preferiram a cegueira à orientação. E fulminou-os a centelha do castigo ignominioso, pelo que lucraram" (Alcorão Sagrado, 41ª Surata, versículo 17).

O que aconteceu ao povo de Lot e ao povo de Sáleh, e o que aconteceu a outros povos, são amostras que nada são perante o acontecimento da Hora e do predestinado tremor.

Depois dessa nossa exposição, podemos dizer: A aniquilação do Universo e sua destruição são fatos que a mente não pode negar. São fatos atestados pelo sentido e pela razão. Deus diz:

"Tudo quanto existe na terra perecerá. E só subsistirá o Rosto de teu Senhor, Majestoso, Honorabilíssimo" (Alcorão Sagrado, 55ª Surata, versículos 26-27).

Contudo, será esse aniquilamento o fim da existência, ou a introdução à eternidade?
É sobre isso que pretendemos falar adiante.
 


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