
Um dos fatores que levaram o homem à perdição e o desviaram do caminho da iluminação é a alegação de que Deus Possui semelhantes. No entanto, se o homem racional pensar um pouco, por alguns minutos, terá a convicção de que esta alegação é falsa e frustrante.
As razões da falsidade dessa alegação são muitas, dentre as quais podemos citar as seguintes como exemplo:
Primeiro: As questões de haver semelhantes determinaria a inexistência da própria divindade, Pois não é possível imaginar que o Auto-Existente, ou seja, Deus, Quem criou tudo com perfeição e minuciosidade tenha um semelhante. Se o tivesse para criar este universo e o controlar, não seria Auto-Existente.
Segundo: Suponhamos, como alegam os ateus, que existem dois deuses ou mais. Se os dois tivessem determinado criar o mundo, não se poderia realizar a existência, pois uma mente não poderia imaginar que duas forças se unissem para a criação de uma só coisa.
Entretanto, tendo em vista que o mundo existe como podemos ver, aquele que o criou é um Deus único que, por sua vez, não possui semelhantes.
Pois se os dois tivessem uma divergência, de modo que um quisesse criar o mundo e o outro rejeitasse, aquele que não quisesse criar o mundo não poderia ter o nome de Deus pelo fato de ser incapaz, devido ao fato de o mundo existir, e, aquele que quisesse criar o mundo é o Deus.
Os possuidores de mentes iluminadas estão convictos de que tanto uma empresa, uma aeronave ou um estado só podem ter desempenhos positivos se colocados sob um só comando. Portanto, comandaria mais que um Deus este mundo tão organizado, preciso e magnífico?
O Alcorão ilustra bem isso, pois Deus diz:
"Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, (os céus e a terra) já se teriam desordenado. Glorificado seja Deus, Senhor do Trono, de tudo quanto lhe atribuem." (Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 22).
Em sua exegese, Almaraghi diz: "O monoteísmo é comprovado pelo argumento racional, e nega a existência de semelhantes a Deus".
E diz: "Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, já se teriam desordenado".
Ou seja, se houvesse nos céus e na terra outra divindade além de Deus haveria o caos e pereceriam todos os que neles se encontrassem, porque se existissem dois deuses, ou eles entrariam em acordo, ou divergiriam entre si, quanto ao comando do Universo.
A primeira alternativa é falsa, pois se um deles quisesse a criação e o outro não, este seria incapaz, e um deus não poderia assim ser.
A segunda alternativa é também falsa, pois se os dois elaborassem juntos a criação isto consistiria no fato de dois criadores manifestarem sua criação em uma só criatura. Logo, tendo em vista de que aquele que gera os céus e a terra só pode ser um só Deus, Este não pode ser senão Deus. Disse Deus:
"Deus não teve filho algum nem jamais nenhum outro deus compartilhou com Ele a divindade! Porque se assim fosse, cada deus teria se apropriado de sua criação e teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem! " (Alcorão Sagrado, 23ª Surata, versículo 91)
lbn Al Kacir diz: "Se fosse possível haver politeísmo, cada deus se isolaria com aquilo que criou. Assim, não se poderia organizar a criação. Entretanto, observa-se que a existência é regular e está em harmonia, quer com o mundo superior, quer com o inferior que, por sua vez, estão interligados com a máxima perfeição. Por outro lado, cada um dos deuses desejaria a derrota do outro, tornando-se, assim, superior ao outro. Há aqueles que constataram isto com a prova; ("Não acharás imperfeição alguma na criação do Clemente" 67ª Surata, versículo 3), isto é, supondo-se dois elaboradores ou mais, onde um deles quisesse a movimentação de um determinado corpo, e o outro quisesse mantê-lo em repouso, estes seriam incapazes se suas vontades não fossem satisfeitas. Assim sendo, o "Auto-Existente" não é incapaz, além de que é impossível o encontro de duas vontades contrárias e isto vem para provar a falsidade do politeísmo. Se a vontade de um for satisfeita e a do outro não, o vencedor seria o auto-existente, enquanto o outro seria o pois não caberia ao auto-existente o adjetivo vencido de fato, Por isso Deus diz: "... teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!'' (Exegese do Alcorão, Volume 3, pág. 254).
Terceiro: A alegação da existência dos semelhantes pelos politeístas, os quais dizem serem estes semelhantes criaturas de Deus; se assim for, estes parceiros não têm a capacidade de constituir benefícios ou prejuízos para si nem para terceiros.
Logo, como poderia o homem neutralizar a sua mente, alegando a existência de outros deuses humanos ou não?
Estes semelhantes, se forem humanos, não se diferenciariam do homem em nada, pois, se assim forem, alimentar-se-iam, adoeceriam e morreriam, tudo isto em igualdade corri todos os seres humanos. Seriam servos de Deus, como o são os homens. Portanto, não estariam os politeístas dando a estes deuses características incompatíveis com eles (alegando seu teísmo)?
Ou melhor, não estariam eles igualando entre terra e ouro, entre água e fogo?
Por outro lado, admitimos a hipótese destes semelhantes serem animais, tais como vaca, cabrito, etc..., animais estes sagrados para o homem e considerados, por este, semelhantes a Deus. Na verdade, estes animais são os menos influentes na criação, como se constata.
Além disto, eles são exemplo de ignorância, fraqueza e incapacidade. Logo, poderia ser possível que estes animais tenham capacidade e aptidão para a criação do universo? Não estaria o homem gozando-se a si mesmo ao neutralizar a sua mente, acreditando que tais animais são sagrados, que ocupam posições de comando neste universo e que são semelhantes a Deus?
E se estes semelhantes assumirem outra natureza, tais como o sol, a lua e os planetas?
Estes seriam objetos de ironia por parte do homem e, conseqüentemente, não poderiam ser semelhantes a Deus. Portanto, como se pode igualar Deus a um semelhante que não tenha consciência do que sente e faz?
Quarto: As alegações desses semelhantes perante o pensamento correto. Na verdade,, tais semelhantes e politeístas, quer tenham a faculdade da fala ou não, não têm o direito de alegar que criaram a terra com suas criaturas, o céu e aquilo que nele existe, ou o sol e a lua, ou a noite aconchegante e o dia, ou a água e o ar, ou o homem, os animais e as coisas, ou terem a faculdade de comandar este Universo. Diz Deus:
"E se lhes perguntas: Quem criou os céus e a terra e submeteu o sol e a lua? Eles respondem: Deus! Então, porque se retraem?" (Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 61).
E diz:
"E se lhes perguntas: Quem faz descer a água do céu e com ela vivi- fica a terra depois de haver sido árida? Respondem-te: Deus! Dize: Louvado seja Deus! Porém a maioria é insensata." (Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 63).
E diz ainda:
"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente te responderão: Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais em vez de Deus? Se Deus quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso, impedí-Lo? Ou então, se Ele quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela? Dize-lhes mais: Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que confiam" (Alcorão Sagrado, 39ª Surata, versículo 38).
Se os próprios alegados semelhantes negam a criação de qualquer coisa neste universo, por sua incapacidade e fraqueza, como podem ser tomados como semelhantes a Deus?
Diz Deus, revelando a incapacidade dos semelhantes e a insipiência dos politeístas:
"Ó humanos, eis um exemplo; escutai-o, pois: Aqueles que invocais, em vez de Deus, jamais poderiam criar uma mosca; ainda que, para isso, se juntassem todos. E se a mosca lhes arrebatasse algo, não poderiam resgatá-lo, porque tanto o solicitador como o solicitado, são impotentes" (Alcorão Sagrado, 22ª Surata, versículo 73).