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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!


É a Religião Necessária Para o Homem Nesta Vida?

Se sabemos que a religião é inata na humanidade que Deus criou, então todos os homens foram criados nesse estado de natureza real, que é o Islam. Disse Deus:

"Fixa o teu rosto na religião monoteísta. É a obra de Deus, sob cujo teor Deus criou a humanidade. A criação de Deus é imutável. Esta é a verdadeira religião; porém, a maioria dos homens o ignora" (Alcorão Sagrado, 30ª Surata, versículo 30).

E diz na tradição, narrada pelo Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), que Deus disse:

"Todos os Meus servos foram criados monoteístas. Os sedutores os desviaram de sua religião e os fizeram atribuir-Me semelhantes".  

Ou seja, toda a humanidade foi criada na indubitável religião da verdade, que é o Islam. Sabemos disso, e sabemos que o homem não foi criado em vão, mas para cumprir uma extraordinária missão, que é adorar a Deus, seguir a doutrina trazida pelos Profetas, para que o bem, o amor e a paz e a felicidade prevaleçam para toda a humanidade.

Sabemos também que o homem não foi criado apenas para essa vida, mas também para uma outra mais importante e mais perene do que está. É a vida eterna.

Nela o homem será julgado pelo que cometeu nesta vida e recompensado pelas suas obras. Se fizer o bem, receberá o bem; e se fizer o mal, receberá o mal. Os crentes serão eternizados nos jardins do Éden e os incrédulos no fogo infernal.

Se soubermos de tudo isso, teremos a convicção de que a verdadeira religião, que Deus Se encarregou de resguardar, e que destinou a Seus servos, é necessária para a humanidade, não apenas na sua vida terrena, mas também na sua vida futura.

Todos os seres humanos, em todas as partes da terra, não necessitam apenas da religião, mas ela é, com sua crença e suas leis, uma das necessidades do homem e da vida real para o homem, sem a qual não conseguirá viver na retidão, desejando o bem para si e para o próximo, com sua vida exemplar, onde prevalecem a segurança, a felicidade e a paz.

A necessidade da humanidade pela religião é devida aos seguintes fatores:

1- A adequação da religião à natureza do homem, Deus criou o homem no estado da natureza de Sua religião. O homem religioso, devido à sua religiosidade, seque sua natureza, sem contrariá-la.

Se o homem harmonizar seu comportamento com a sua natureza, estará no caminho da retidão, com a alma em paz, o coração comprazido, a mente sossegada, a visão iluminada, sem choques entre ele e seu espírito, e entre a sua consciência e seus atos. Disse Deus:

"Que criamos o homem na mais perfeita proporção. Então a reduziremos à mais baixa das escalas, salvo os crentes que praticam o bem; estes terão urna recompensa infalível" (Alcorão Sagrado, 95ª Surata, versículos 4-6).

O homem possuirá a mais perfeita proporção se crer em Deus, único, e aceitar o que todos os profetas trouxeram, se fizer da prática do bem sua senda e seu método neste mundo. Se o homem se extraviar e atribuir semelhantes a seu Criador, passando a seguir suas paixões e vícios, será reduzido à mais baixa das escalas.

Said Qutub diz: "A verdade apresentada por esta Surata, "a do Figo", que diz: "Pelo figo e pela oliva, pelo monte Sinai, e por esta metrópole segura (Makka), que criamos o homem na mais perfeita proporção. Então o reduziremos à mais baixa das escalas, salvo os crentes que praticam o bem; estes terão uma recompensa infalível. Quem é, então, que depois disto te contradirá quanto ao Dia do Juízo? Acaso, não é Deus o mais prudente dos juizes?" (Alcorão Sagrado, 95ª Surata 1-8), é a realidade da natureza em que Deus criou o homem e a harmonização dessa natureza com a natureza da crença, alcançando com ela a mais perfeita proporção, ou ser reduzido à mais baixa das escalas, e se desviar da natureza da crença." (A Sombra do Alcorão, volume 3, pág. 608, 6ª Edição).  

2- A harmonização entre o homem e a existência. Se o apego à religião verdadeira, que é a crença no Deus Único e o agir de acordo com o que o Seu Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), apresentou, por ser considerado o postermo dos Profetas, e quem nele crer, crerá em todos, se ajusta à harmonização entre o homem e a natureza em que foi criado, este apego também faz da harmonização e da similaridade entre este Universo em que o homem vive e o próprio homem, levando-se em conta que o homem é uma parte deste Universo, uma realidade incontestável e inexorável, pois tudo que Deus criou neste Universo, de sol, lua e estrelas, de montanhas, árvores, pássaros e animais, de outras coisas que conhecemos e que não conhecemos, está submetido, consagrado e prostrado perante Deus, seu Criador, e glorifica Seus louvores, de uma forma que só Deus conhece. Disse Deus:

"Não reparas, acaso, em que tudo quanto há nos céus e tudo quanto há na terra se prostra ante Deus? O sol, a lua, as estrelas, as montanhas, as árvores, os animais e muitos humanos? Porém, muitos merecem o castigo! E a quem Deus afrontar não achará quem o honre, porque Deus faz o que Lhe apraz" (Alcorão Sagrado, 22ª Surata, versículo 18).  

E disse:

"A Deus se curvam aqueles que estão nos céus e na terra, de bom ou mau agrado, tal como acontece com suas sombras ao amanhecer e ao entardecer" (Alcorão Sagrado, 13ª Surata, versículo 18).  

E disse ainda:

"Ante Deus se prostra tudo o que há nos céus e na terra, tanto os seres como os anjos, e não se ensoberbecem" (Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 49).

E disse mais ainda:

"Não reparas, acaso, em que tudo quanto há nos céus e na terra glorifica a Deus, inclusive os pássaros, ao estenderem suas asas? Cada um está ciente de sua oração com sua louvação. E Deus é Sabedor de quanto fazem" (Alcorão Sagrado, 24ª Surata, versículo 41 ).

Se toda esta criação que citamos, que forma este Universo, prostra-se, com submissão, perante Deus, seu Criador, e glorifica Seus louvores, e se o apego do homem à verdadeira religião o capacita a prostrar e glorificar os louvores de Deus, então toda a existência, inclusive o homem, forma uma harmonia inegável entre o homem e o resto da criação.

Esta harmonia é necessária para o próprio homem e para a própria vida. Se o homem não tiver sossego num determinado lugar, estará agindo contra a vontade. Se encontrar paz e sossego num lugar, sentirá que tudo que o rodeia foi criado por sua causa; alegrar-se-á com ele e com a sua beleza, fará de tudo para conservá-lo.

Nisto reside o progresso da vida. Por outro lado, se desgostar do que o rodeia, destruí-lo-á ou o removerá; e nisso está a destruição da vida frutífera que o homem almeja.

A crença do homem na verdadeira religião e o seu apego à sua doutrina, cria entre o homem e o mundo em que vive uma harmonia e uma correspondência, onde ele visualiza a Onipotência de Deus no brotar da pequena planta, nas altas montanhas, nos mares, nos rios e nos riachos.

Vê a magnificência de Deus na terra que gravita no espaço, no sol, na tua, nele próprio e no que o rodeia. O religioso olha o que o rodeia com o olhar de meditação. E quando o homem medita prolongadamente numa coisa, aperfeiçoa a sua relação e correspondência com ela, e com isso, harmoniza-se com ela, vivendo em paz e sossego.

Por isso, a religião é necessária para o homem nesta vida, para se harmonizar com o que o rodeia, de beleza, majestade, harmonizando-se com a existência da qual ele faz parte.

3- A consolidação da relação entre o homem e seu Criador. Não exageramos se dissermos que o homem é a fonte desta vida. Por sua causa foi criada e com ele floresceu. Tudo nela é destinado para a sua sobrevivência e a ele foi submetido. Ele é o propulsor de sua civilização, o agente de seu desenvolvimento.

A vida, todavia, com sua majestade, esplendor, excitamento e beleza, com as mercês que a cobrem, com a civilização que tem, necessita de alguém que a revele, e o homem se encarregou de tudo isso.

O homem é uma dádiva de Deus para esta vida. Ele é a sua alma, sua alegria, sua beleza, sua bela melodia. O homem não é apenas matéria composta de sangue, carne e ossos, mas possui também alma. Apesar de ter sido criado da terra, seu espírito provém do Senhor do Universo. Disse Deus:

"Que aperfeiçoou tudo que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro; então formou-lhe a prole de essência de sutil sêmen; depois o modelou; então, alentou-o de Seu Espírito. Dotou-vos da audição, da visão e do coração (entendimento). Quão pouco Lhe agradeceis!" (Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículos 7-9).

 O homem, apesar de ser animal, ele é racional, possui o livre-arbítrio de seguir o caminho que desejar, É verdade que não foi criado por seu desejo, nem morre quando deseja, porém, foi-lhe tudo preparado, nesta etapa da vida, ou seja, entre a vida e a morte, para que faça o que desejar.

Por isso, há nesta vida o diligente e o negligente, o ascendente e o descendente, o poderoso e o desprezível, o líder e o subserviente, e há ainda aquele que consegue mudar a face da vida e submetê-la ao que ele crê.

Há aquele que morre sem deixar vestígio de sua existência. Há aqueles que, por mais longo que seja o tempo que transcorreu entre nós e eles, suas marcas continuam visíveis nesta vida. E há aqueles que morrem como se nunca existissem.

O homem, por ser formado de corpo e alma, ao purificar a alma e desenvolvê-la, alcança a perfeição e galga os céus até às moradas celestiais. Ao se envolver com seus vícios e seguir as suas paixões, desce às piores escalas.

Ele terá a mais perfeita proporção se for guiado por sua alma, e será reduzido à mais baixa das escalas se envolver com seus vícios e paixões. A sua alma pode elevá-lo à perfeição e seus vícios podem empurrá-lo para o precipício. Disse Deus:

"Que criamos o homem na mais perfeita proporção. Então o reduziremos à mais baixa das escalas, salvo os crentes que praticam o bem; estes terão uma recompensa infalível" (Alcorão Sagrado, 95ª Surata, versículos 4-6).

 O homem, quanto à sua formação de corpo e alma, não pode ser diferenciado de outro homem, se desejarmos julgá-lo como homem, com sua personalidade e dignidade. Por isso, em sua completa existência, ele necessita de um método correto que possa desenvolver seu corpo e purificar a sua alma, para que possa habitar a terra e se guie aos outros ao caminho do bem.

Foi por misericórdia de Deus para com o homem, que Ele depositou no corpo de cada ser vivo as necessidades do próprio corpo. Se ele tiver necessidades de alimento, sentirá fome; se estiver necessitando de água, sentirá sede; se estiver cansado, pedirá pelo descanso; se sentir frio, pedirá pelo aquecimento.

Observa-se que todas as necessidades do corpo, que o desenvolvem e conservam a sua vida, são da mesma espécie com que foi criado o próprio corpo. O alimento, a água, as vestimentas, etc., foram criados da água e da terra, substâncias das quais o corpo humano foi criado.

A alma é uma dádiva de Deus para esse corpo. Ele é o seu recipiente e ela é a sua essência. Sem ele, o corpo não passa de um amontoado de carne e ossos; com ela, é um homem, com sua personalidade e dignidade.

Para a conservação e o desenvolvimento da alma, é necessário purifica-la. Isto só pode ser conseguido por intermédio da instrução proveniente da Fonte que a doou, Que é Deus. A sua purificação só pode ser conseguida com as Mensagens de Deus, enviadas com os Profetas.

Se desejarmos conservar e desenvolver a alma, e se pretendemos guiar o homem para a mais perfeita proporção, devemos conservara em contato permanente com seu Criador, submetendo-se a Ele, e permanecendo dentro de Seus limites, executando Suas leis e mandamentos.

Isso demonstra que a religião é necessária para a vida, para consolidar a relação entre a alma e seu Criador, e a alma possa assumir todas as nuanças da vida do homem, guiando-o, constrangindo-o, dominando seus movimentos. Com isso o homem pode viver livre, digno, desprovido dos vícios e das paixões.

4- O controle do comportamento do homem para que possa viver em fraternidade. Se observamos os movimentos, as tendências, os desejos, o caráter e os comportamentos do homem em suas atividades, seus relacionamentos uns com os outros, com seus pais, parentes, vizinhos, amigos e com todos os membros da sociedade em que vivem, em suas ligações com a nação ou o povo a que pertencem, vemos que algumas pessoas são controladas, em todas as suas atividades, pelos costumes e tradições que adotaram; outras acrescentam a isso um código por elas constituído; e outras, ainda, acrescentam a tudo uma religião. Portanto, toda a humanidade, em todas as suas atividades, ou está submetida a costumes e tradições, ou a um código ou a uma religião, ou a todos ao mesmo tempo.

Cada um desses expedientes tem uma influência evidente nas relações e comportamentos humanos. Porém, qual desses expedientes serve para o controle do comportamento do homem na prática do bem, garantindo-lhe a segurança e a estabilidade, onde possa assegurar a sua própria integridade e de sua mente, de sua riqueza, de sua família, de sua liberdade de crença?

Para conhecermos o papel de cada um no controle do comportamento do homem, seu relacionamento e o alcance de sua utilidade ou nocividade, faremos um apanhado geral sobre cada um desses expedientes:

Os costumes e as tradições: Os costumes são um conjunto de atos que o homem se habitua a praticar, tornando-se exímio em seu manejo, sem necessidade de recorrer a nenhum esforço.

As tradições são os costumes herdados dos antepassados. Ambos formam um conjunto de leis que regem os comportamentos, quer seja de uma comunidade, de um povo ou de uma nação, em suas atividades civis e sociais.

Eles são o produto de uma necessidade causal ou temporal, e não o produto de um estado organizado. São seguidos sem se levar em conta a sua validade, ou se podem acarretar prejuízos aos outros ou não, ou se atrofiam a personalidade do homem ou não.

O homem, por exemplo, que sente necessidade de quem o proteja das forças da natureza, como o trovão, o relâmpago, os terremotos, etc., apela para as pedras e os ídolos, para se proteger daquilo que ele teme. Essa sua prática passa a ser um costume entre as pessoas. Isso elimina a liberdade e a dignidade do homem.

Entre algumas tribos, por exemplo, há o costume de que se uma moça quiser casar, tem de viver antes com o chefe da tribo. Se ele não aprová-la, ela permanecerá solteira pelo resto da vida.

Em muitos países ocidentais e orientais, a conservação da virgindade é considerada hoje uma prova de falta de feminilidade. Esse costume difundiu a prostituição e a imoralidade que todos conhecem.

Por outro lado, há pessoas que adotam costumes, quer sejam benéficos, quer sejam maléficos para a sociedade, quer sejam úteis, quer sejam nocivos ao indivíduo. O imitador se apega à imitação de quem o precedeu, mesmo que o costume seja para atrofiar sua personalidade humana.

Disso podemos concluir: Os costumes e as tradições são inadequados para controlar os comportamentos e as atividades do homem, quer seja individual, quer seja coletivamente. Eles privam o homem de desejar o bem a todos, roubam-lhe a segurança, a estabilidade, a segurança de seus bens, famílias, a liberdade de crença e de pensamento, as necessidades que os sábios reuniram e que devem ser alcançados para que o homem possa viver como homem.

A inadequabilidade dos costumes e das tradições é causada por vários motivos, entre os quais destacamos:

1º- Os costumes e as tradições não são baseados num estudo organizado. Os costumes e as tradições não são o resultado de um estudo ou de uma necessidade geral, abrangente, útil ao indivíduo e à sociedade.

São fruto de uma necessidade causal ou temporal. Seu introdutor não olha suas conseqüências em relação a ele próprio ou aos outros, porque visa apenas alcançar o seu objetivo. Aquele que se acostuma a ingerir bebidas alcoólicas, por exemplo, não vê a nocividade que está causando a si ou a seus filhos e à sociedade em que vive, porque deseja apenas suprir suas necessidades dessa bebida, sem nada levar em considerado.

2º- O afastamento dos costumes e das tradições, da lógica e da evidência. Já que os costumes e as tradições não se baseiam num estudo organizado, os seus adeptos não possuem objetivo, nem se guiam pela lógica e pela evidência.

Como exemplo, podemos citar a santificação de um determinado ídolo ou animal ou ser humano. Neste nosso século, considerado o ápice dos séculos anteriores, pela civilização alcançada e pela ciência e pensamentos conquistados, ao entrarmos em algumas casas, vemos um ou mais ídolos ali expostos.

Se perguntarmos a causa de sua adoção, o dono da casa alega que lhe dão sorte. Se lhe perguntarmos se ele está convicto de que lhe dão sorte, e se a dão de fato, ele não sabe responder. Se tentarmos nos aprofundar no assunto, perguntando-lhe sobre as graças recebidas, ele se esquiva e continua apegado a ele.

O mesmo caso acontece com muitos jovens muçulmanos ou não, que usam correntes de ouro ao redor do pescoço, como se quisessem demonstrar seu apego a um ato cujo objetivo desconhecem.

3º- Sua falta de abranger o homem na sua acepção transcendente. O pesquisador dos costumes e tradições conclui que os mesmos não convêm para o controle dos comportamentos e atividades do homem na sua acepção transcendente, ou seja, considerando-o corpo e alma, porque o que o homem introduziu no campo do relacionamento entre ele e o seu Criador, por intermédio dos costumes e das tradições, é ao mesmo tempo a aniquilação desse relacionamento.

Deus enviou Seus Mensageiros com missões determinadas, sem que o próprio mensageiro possa aumentar ou diminuir nada da mensagem. O apego às leis dessas mensagens é a verdadeira relação entre o Criador e Seus servos. O desapego a elas ou o desvio delas é a aniquilação dessa relação.

Se ela for rompida, aniquila-se o lado espiritual do homem, e os costumes e as tradições passam a governar apenas o lado material, apesar de sua incapacidade neste sentido, como demonstramos acima.

4º- A aniquilação das invenções e das criatividades que beneficiam o homem. Aqueles que sequem, em sua vida, os costumes e as tradições introduzidas pelos seus predecessores, destroem a maior dom que o homem possui nesta vida e o pensamento e a liberdade. Se o homem for desprovido do pensamento e da liberdade, em que se transformará?

5º- A insuficiência dos costumes e das tradições para a educação do homem em assumir sua responsabilidade.

É certo que aquele que procura aplicar os costumes e as tradições em qualquer sociedade, não é o homem como indivíduo, mas como a sociedade em que vive, porque esses costumes e tradições não são produto de um pensamento aceito por todos ou é uma opinião em que crêem, mas é o produto da necessidade daqueles que os introduziram, e uma imitação daqueles que as tomaram de outros.

Algumas pessoas, querendo agradar à sociedade, sequem aparentemente os costumes, às ocultas porém, fazem o que querem, contrariando esses costumes e essas tradições. E por falta de seu domínio do pensamento e da consciência do homem, não têm controle para obrigar o homem a respeitá-los e se apegar a eles. Na ausência desse domínio, o homem vive à sua sombra, muito distante de assumir suas responsabilidades.

6º- A fragilidade e a superficialidade dos costumes e das tradições perante outros costumes e tradições. É sabido que cada tribo ou sociedade, ou nação, possui costumes e tradições, aos quais se apegam e fazem de tudo ao seu, alcance para conservá-los.

Apesar disso, muitas pessoas abandonam seus costumes e tradições, adotando outros que, por algum tempo terão a liderança, até que outros costumes e tradições se oponham a eles e os eliminem.

Devido a essa fragilidade, eles são inadequados para o controle do comportamento e das atividades do homem, porque aquele que não puder subsistir, não pode controlar o comportamento de outros.

O Alcorão acusa aqueles que estagnam seus pensamentos e deixam de utilizar o seu intelecto, imitando os costumes dos outros, disse Deus:

"Quando lhes é dito: Segui o que Deus tem revelado! dizem: Qual! Só seguimos as pegadas dos nossos pais! Seguí-las-iam ainda que seus pais nada compreendessem nem se guiassem?" (Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículo 170).

E disse:

"E quando lhes foi dito: Apegai-vos ao que Deus revelou, e (apegai-vos) ao Apóstolo! Disseram: Basta-nos seguir o que seguiam nossos pais! Como? Seguir-lhes-ão o exemplo, ainda que seus pais nada compreendiam nem se guiavam?" (Alcorão Sagrado, 5ª Surata, versículo 104).

E disse ainda:

 "Do mesmo modo, não enviamos antes de ti qualquer admoestador a urna cidade sem que os abastados dentre eles dissessem: Em verdade, deparamo-nos com nossos pais a praticarem um culto, pelos rastros dos quais seguiremos. Disse-lhes: Que ! Ainda que eu vos trouxesse melhor orientação do que aquela que seguiam vossos pais? Responderam: Sabei que renegamos a vossa missão." (Alcorão Sagrado, 43ª Surata, versículos 23-24).



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