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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!

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Abdurrahman Ibn Khaldun

Abdrrahman Ibn Khaldun, nasceu em Túnis em 27 de maio de 1332 e faleceu no cairo em 1406, e o contemporâneo da dinastia dos Merinidas do Marrocos (1269-1420), dos Hafsidas Tunisianos (1228-1574), dos Nasrides de Granada (até 1492), do Mamelucos do Egito (1250-1517), do Império Mongol de Tamerlão (1331-1405), Ibn Khaldun, encontrou o conquistador Mongol em 1401.

O Jovem Ibn Khaldun, foi educado num meio essencialmente cultural, seu pai era um letrado e continuou seus estudos até a sua morte, durante a peste de 1349, quando Ibn Khaldun, tinha 18 anos, pode-se ver em Túnis, no bairro dos Andalus, sua casa e sua escola.

Sua família possuía uma fazenda, no caminho entre Túnis e Sousse, a meio caminho entre as duas cidades, a peste (descrita por seu contemporâneo Boccae na Itália), matou seus professores e uma boa parte de seus compatriotas, liberado dos laços familiares, ele se envolveu na vida política movediça do Maghreb de sua época.

A Sua Vida Política

Em 1353, Ibn Khaldun se encontra em Bougie e passa nove anos na corte dos Merinidas de Fez(1354-1363), mas aproveita seu tempo vago para completar sua formação em companhia dos sábios de Fez, enquanto que as intempéries políticas lhe valiam uma prisão de dos anos.

Passa depois dois anos em Granada (1363-1365), em 1365, ocupava novamente um cargo político em Bougie, de 1372 a 1374, ele volta ao tribunal de Fez, durante este período, ele se encontra envolvido nas rivalidades políticas da África do Norte.

Cansado das intrigas e do que ele chama em sua autobiografia página 143:

''As marés da política'', Ibn Khaldun se retira de cena durante oito anos, para se consagrar ao estudo e a pesquisa.

Período de Isolamento

Na verdade, Ibn Khaldun não teve mais que quatro anos de isolamento, de 1374 à 1378, passou-os no deserto, na Kal'at Ibn Salama, na Argélia, e lá em 1377, aos quarenta e cinco anos de idade, ele terminou, em cinco meses, a redação da obra que eternizou o seu nome Al Mukaddima.

Os dois anos restantes deste prazo de reflexão ele os passou em Túnis (1378-1382), para completar as necessárias referências bibliográficas, em 1382, a obra é terminada e foi dedicada ao Sultão hafsida.

Aos cinqüenta anos de idade, sem deixar de ser o homem de ação que sempre foi, Ibn Khaldun passou a se dedicar ao ensino e a magistratura, o último quarto de século que restava de sua vida, passou-o no Cairo, onde morreu, perdeu a sua família em um naufrágio, quando está ia ao seu encontro no Cairo.

Uma Obra Original

Em um dos manuscritos autenticados por suas próprias mãos, Ibn Khaldun diz:

''Está é a minuta da introdução (Mukaddima) ao livro das lições tiradas da história dos livros Árabes, Persas e Berberes (Kitab Al Ibar).

É um livro inteiramente científico, que serve como um preâmbulo ornamental a meu livro de história, colecionei-o o quanto pude e corrigi-o, não se pode achar uma cópia melhor do que esta. Escrito pelo autor do livro, Abdrrahman Ibn Khaldun, que Deus lhe de o sucesso, e em sua infinita bondade, o perdão !''

Para A.J. Toynbee, a Mukaddima permanece: "sem dúvida nenhuma, a maior obre de seu gênero, e jamais algo semelhante foi criado, por quem quer que seja, e em todos os tempos e lugares.''

Ibn Khaldun se apresenta como historiador, mas além disso, ele foi, cinco séculos antes de Auguste Conte (1840), o fundador da sociologia.

Disse Ibn Khaldun:

''Nosso propósito atual é uma concepção nova... Trata-se de uma ciência independente, cujo objeto é a civilização humana e a sociedade humana.''

Lançou as bases da crítica histórica:

''A mentira se introduz naturalmente na informação histórica, e isso por sete razões principais:

O espirito partidário;

A confiança cega;

A ignorância do significado de um acontecimento;

O excesso de confiança em si;

Os remanejamentos;

As alterações;

A ignorância das características naturais de civilização.''

Ibn Khaldun dá uma importância especial ao meio social:

''O homem é a criança de seus hábitos.''

Aqueles que criticam a civilização islâmica, que vêem nela só um pálido reflexo da cultura helênica e lhe negam qualquer originalidade, são forçados a reconhecer que possuímos a filosofia da história, a primeira a ser escrita, nem árabes nem europeus, tiveram alguma vez uma visão da história ao mesmo tempo tão compreensiva e tão filosófica.

A opinião geral de todos os críticos de Ibn Khaldun é que ele foi o maior historiador de sempre produzido pelo Islam e um dos maiores de todos os tempos, muito antes dos sociologistas, antes de Conte, Vico, Marx e Spengler., ele dedicou-se a evolução da sociedade humana e tentou dar uma explicação racional para o progresso da história.

Ibn Khaldun escreveu uma história do mundo em três livros, com uma introdução, e uma autobiografia, o primeiro livro junto com a introdução forma uma parte separada a que chamamos a Prolegômenos.

Está parte constitui por si só um momento imperecível e a ela deve o autor o seu renome internacional, nela se encontram pela primeira vez reflexões gerais sobre a história, as diversas formas de civilizações resultantes do clima, vida nômade ou sedentária, e dos vários habitantes peculiares de cada uma dessas civilizações, tal como as instituições sociais, ciências e artes por eles adotadas.

Ibn Khaldun fala das ciências do Alcorão Sagrado, matemática, canto e música instrumental, agricultura e ofícios, é uma verdadeira enciclopédia impregnada por um profundo espírito filosófico, onde a própria história é olhada como parte integrante da filosofia;

Diz Ibn Khaldun:

''Olhemos para a natureza interna da ciência da história, é o exame e verificação de fatos, a cuidadosa investigação das causas que as provocaram, uma profunda compreensão da maneira como os fatos se desenrolam e como surgem, a história forma por isso um importante ramo da filosofia, e deve ser considerada como uma das ciências.''

É praticamente impossível analisar aqui a imensa obra de Ibn Khaldun, as observações engenhosas e eruditas sobre a fragilidade das civilizações, a evolução cíclica e o papel proeminente da elite na formação dos estados, que usa para apoiar a sua teoria, são fascinantes.

O ponto de partida de Ibn Khaldun é a afirmação de que há uma analogia completa entre a vida de um Estado e a de um homem ou a de qualquer outra criatura viva.

Tal como eles, os Estados nascem, crescem e morrem, tal como eles estão sujeitos a certas regras de evolução natural, Ibn Khaldun dedicou-se à descoberta e explicação desta evolução.


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