Examinamos
assim algumas das mais importantes doutrinas do Cristianismo, que fazem parte
dos credos tanto protestantes quanto católico-romanos. Nosso exame nos levou à
conclusão de que as doutrinas da Trindade, da Divindade de Jesus, da condição
de Filiação Divina de Jesus, do Pecado Original e da Redenção, não são coerentes com os ensinamentos de
Jesus (que a Paz esteja sobre ele). Esses dogmas formularam-se
muito depois de Jesus (que a Paz esteja sobre ele), como resultado da influência pagã. Esses dogmas mostram
que o Cristianismo se desviou consideravelmente da religião de Jesus (que a Paz
esteja sobre ele).
O
Islam é uma renovação e uma
reafirmação da religião de Jesus (que
a Paz esteja sobre ele) e de todos os outros profetas. A religião
revelada aos profetas de diversas nações foi a mesma, mas ao longo do tempo,
ela foi mal interpretada e misturou-se com superstições, degenerando em práticas
mágicas e rituais sem sentido. A concepção Deus, o âmago mesmo da religião,
foi rebaixado pela:
(a)
tendência antropomórfica de fazer de Deus uma imagem em forma humana e com
paixões humanas;
(b)
pela associação de outras pessoas com o único Deus na sua Divindade (como
no Hinduismo e no Cristianismo);
(c)
pela divinização dos anjos (ex.: os Vedas do Hinduísmo, os Yazatas no
Zoroastrianismo e, talvez, também o Espírito Santo, no Cristianismo);
(d)
por transformar os profetas em avatars ou encarnações de Deus (ex.:
Jesus Cristo no Cristianismo, Buda no Budismo, Mahayana, Krishna e Rama, no
Hinduísmo);
(e)
pela personificação dos atributos de Deus em pessoas divinas separadas
(a Trindade Cristã de Pai, Filho e Espírito Santo, a Trimurti Hindu de Brahma,
Vishnu e Shina, e a Amesha Spentas do Zoroastrianismo).
O
Profeta Muhammad
(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele); criticou todas essas tendências
teológicas irracionais e restabeleceu a pureza prístina da concepção de Deus
como a Realidade Eterna (as-Samad), o Criador e Provedor de todos os
mundos (Rabb-ul-Alamin), o Clemente (ar-Rahman), o Misericordioso (ar-Rahim),
o Remissório (al-Ghaffir), o Todo-Poderoso (al-Azi'z), o Sapiente (al-Alim),
o Sagrado (al-Quddus), o Munificente (al-Wasi).
Ele
purgou a religião das superstições, erros e cerimônias sem-sentido,
ampliando o seu alcance para torná-la uma fonte de inspiração e orientação
para toda a raça humana, e uniu os povos de todas as raças, cores e nações
numa única irmandade universal.
O Islam é uma religião sem mitologia. Seus ensinamentos são simples e racionais. Seu recurso e apelo é à razão e à consciência humanas. A verdade da doutrina Islâmica da Unicidade e Bondade de Deus nos é transmitida através do estudo e da contemplação do cosmos, onde divisamos a unidade que permea para manter coesa a manifesta diversidade, pelos ensinamentos de todos os profetas, pelas experiências dos místicos de todas as religiões e nações, e finalmente pelas apologias dos Trinitários, que, apesar de suas crenças em três Pessoas Divinas, declaram existir somente um único Deus.
Se Deus é um só, todos os seres humanos são criaturas do mesmo Deus, e são iguais perante Ele, daí a crença Islâmica na igualdade e irmandade de todos os homens e mulheres. Se Deus é o Criador e Provedor de todos os mundos, Ele deve prover não apenas as necessidades físicas do homem, mas também as suas necessidades morais e espirituais, revelando ao homem o caminho da verdade e da probidade, e daí a crença Islâmica na Revelação Divina.
Além
disse, a Revelação Divina deve vir onde e quando é necessária, e para
revelar a Sua mensagem, Deus precisa escolher homens que sejam completamente
devotados à verdade, levam vidas piedosas e sem pecado, e podem inspirar outros
a seguirem o caminho verdadeiro, e daí a crença Islâmica nos Profetas de
todas as nações. E finalmente, se Deus é o Deus do Bem, e Seu Plano ao criar
o mundo e tornar o homem agente moral livre, não é frívolo nem sem sentido,
deve haver uma Vida após a morte, na qual os homens poderão colher os frutos
de suas crenças, intenções e atos e continuar a maravilhosa viagem a Deus e
em Deus e daí a crença Islâmica na Outra Vida.
A
famosa Orientalista Italiana, Dra. Laura Veccia Vaglieri, escreve o seguinte
sobre o espírito racional e universal do Islam, no seu livro An
Interpretation of Islam (Uma Interpretação do Islam).
"O
Profeta Árabe, com uma voz que foi inspirada por profunda comunhão com seu
Criador, pregou o mais puro monoteísmo aos adoradores de fetiches e aos
seguidores de um Cristianismo e judaísmo corroídos. Ele expôs-se em conflito
aberto com essas tendências regressivas da humanidade que levaram à associação
de outros seres com o Criador. No propósito de levar os homens a crerem em um
Deus, ele não os iludiu com acontecimentos que se desviassem do curso normal da
natureza os assim chama dos milagres; nem mesmo os compeliu à submissão pelo
uso de ameaças celestes que só conseguem minar a capacidade do homem de
pensar. Ao contrário, ele simplesmente os convidou, sem lhes pedir para deixar
o reino da realidade, a considerarem o universo e suas leis. Confiando na fé
resultante no Deus único e indispensável, ele simplesmente deixou os homens
lerem no livro da vida. Muhammad Abdu e Ameer Ali ambos afirmam que Muhammad se
contentou em apelar à consciência íntima do indivíduo e ao juízo intuitivo
do homem."(25)
Após
citar alguns versículos relevantes do Sagrado Alcorão, a douta autora
continua:
"Graças
ao Islam, o paganismo em suas diversas formas foi derrotado. O conceito do
universo, as práticas da religião, e os costumes de vida social foram todos
liberados das muitas monstruosidades que os degradavam, e as mentes humanas
foram libertadas dos preconceitos. O homem finalmente atingiu a sua dignidade.
Ele se humilhou diante do Criador, Mestre de toda a humanidade. O espírito foi
libertado do preconceito, a vontade do homem foi libertada dos laços que a
mantinha presa da vontade de outros homens, ou outros assim chamados poderes
ocultos' sacerdotes, falsos guardiões de Mistérios, corretores da salvação,
e todos aqueles que se fingiam de mediadores entre Deus e o homem e conseqüentemente
acreditavam ter autoridade sobre a vontade dos outros, caindo todos dos seus
pedestais. O homem tornou-se servo de Deus somente e para com os outros homens
ele passou a ter apenas as obrigações que um homem livre tem para com outros
homens livres. Enquanto que até então os homens haviam suportado as injustiças
das diferenças sociais, o Islam proclamou a igualdade entre todos os seres
humanos. Cada Muçulmano se distinguia de outros Muçulmanos não em razão do
nascimento ou outro qualquer fator não ligado à sua personalidade, mas somente
pelo maior temor a Deus, pela qualidade dos seus atos e por suas qualidades
morais e intelectuais." (26)
O
Islam é a mensagem universal da Unidade, a Unidade de Deus, a unidade de todas
as religiões, a unidade dos profetas de todas as nações, e a unidade de toda
a humanidade.