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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!


Meios de Universalização 

Além dos meios já mencionados, ou seja, a existência de uma mesma lei para todos uma única direção em que se voltar nas orações, o mesmo lugar de encontro na peregrinação universal etc., a instituição do Califado universal tem um papel muito especial.  

O Profeta Muhammad (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), de memória extraordinária, proclamara-se mensageiro de Deus, enviado à totalidade dos seres humanos e também o último de tais mensageiros, para todos os tempos, até o fim do mundo. Seus ensinamentos aboliram as desigualdades de raça e classe. Além do mais, o próprio Profeta exercia todos os poderes, espirituais como seculares e outros, na comunidade que ele organizara como estado e a dotou de todos os seus organismos.

Essa acumulação de poderes foi passada como herança, após a sua morte, aos seus sucessores no estado, com a diferença de que esses sucessores não eram profetas, e portanto, não recebiam revelações Divinas. O Profeta Muhammad (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), havia sempre insistido sobre a necessidade da vida comunitária, a ponto de ter declarado que:  "aquele que falecer sem conhecer seu Imam (califa), morre pagão”.

Ele também insistia na unidade e solidariedade da comunidade muçulmana, dizendo que: "aquele que dela se distancia vai para o Inferno”. 

Mesmo no tempo em que o Profeta vivia, havia indivíduos e até grupos de muçulmanos, que viviam voluntariamente, ou sob compulsão, além das fronteiras do Estado Islâmico, por exemplo, na Abissínia, e em Makkah (antes da conquista desta pelo Profeta). Algumas das regiões não-muçulmanas desconheciam a tolerância religiosa, e perseguiam a cidade-estado de Madina (como Makkah e o Império Bizantino). Outras, como a Abissínia cristã, praticavam uma política liberal em assuntos da consciência.

 Como acabamos de ver, o califa herdou do Profeta o exercício do poder duplo, espiritual-secular, e presidia a celebração dos cultos de oração na mesquita, ao mesmo tempo que era o chefe do estado nos assuntos seculares.

 Em reconhecimento do Profeta, costumava-se jurar fidelidade (baia, ou pacto de obediência); fazendo-se o mesmo perante os califas no momento em que estes eram eleitos. A base da organização estatal é um pacto convencionado entre o governante e os governados.

Na prática, somente as pessoas que são as mais representativas da população, prestam esse juramento de aliança. Tal nomeação sob pacto implica, é claro, na possibilidade de anulação do pacto e deposição do governante pelas mesmas personalidades representativas.

 Foi em virtude de ser o mensageiro de Deus, que o Profeta Muhammad (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), dirigiu sua comunidade; e a lei que ele promulgou e deixou para a posteridade foi igualmente de inspiração Divina. A soberania de Deus continuou a existir para os seus sucessores, como uma realidade, na esfera da competência deles; pois aí eles eram os sucessores do Profeta de Deus.

Mas para eles não existia qualquer possibilidade de receber revelações Divinas; e assim seus poderes em matéria de legislação foram limitados; eles não podiam revogar as leis estabelecidas pelo Profeta em nome de Deus; podiam, entretanto, interpretar essas leis, e legislar nos casos em que a lei do tempo do Profeta era silente.

Em outras palavras, o Califa não podia ser um tirano, pelo menos em matéria de legislação; ele é um líder constitucional, e tão sujeito às leis do país quanto qualquer outro habitante comum do Estado. A tradição criada pelo próprio Profeta é responsável pelo fato de que o chefe do Estado Muçulmano não podia ficar acima da lei; e a história mostrou que os califas podiam ser sempre intimados, mesmo pelo mais humilde dos súditos, e também pelos não-muçulmanos, a aparecer nos tribunais do país desde os tempos de Abu Bakr (o primeiro Califa) até os nossos dias.

 A teoria e a prática do califado não tem, entretanto, sido sempre as mesmas na sociedade muçulmana, será útil um rápido esboço dessa história, para melhor compreensão da posição atual.



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