bism_21.gif (4392 bytes)
Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!


O Código

Antes de falarmos sobre o papel do código e sua adequabilidade ou não para o controle dos comportamentos e das atividades do homem, gostaríamos de dizer que os costumes e as tradições e o código possuem um papel inegável nesse controle.

Porém, esse papel é limitado e não possui relação com o lado espiritual do homem. Sua insuficiência quanto ao lado material é patente, como mostramos em relação aos costumes e tradições e iremos mostrar agora em relação ao código.

A força do código no controle de alguns comportamentos e atividades do homem não se baseia no próprio código, mas em outros fatores. Além da força legal da matéria do código, como a inexistência de exceções para que seja respeitado, ele deve abranger todos os membros da sociedade, sem diferença entre governante e governado, entre rico e pobre, entre o conhecedor das leis e o que as ignora.

Ela também reside na aplicação minuciosa de suas leis e sua rigorosa punição. O código de direito de passagem, por exemplo, a maior parte de sua matéria é reconhecida por todas as nações, pouco faltando para que sejam unificados num só código.

As poucas diferenças que existem são resultado do controle, em alguns países, e a anarquia, em outros. Todavia, o próprio código afirma que ele, por si só, não é suficiente para controlar os comportamentos, se não for aplicado minuciosamente, e com todo o rigor.

Apesar do respeito de algumas nações e sociedades às leis que lhes garantem o beneficio, o código é inadequado para controlar os comportamentos e as atividades do homem pelos seguintes motivos:

 1- A insuficiência do código quanto às necessidades atuais e futuras. Se o homem, porém, conhece suas necessidades da época em que vive, ele desconhece as futuras. Por isso, nunca vemos um código permanente, inalterável, e isso é evidente, por causa de sua insuficiência em preencher as necessidades do homem nesta vida.

2 - A instabilidade do código. Se examinarmos o que os poderes legislativos produzem e anulam de códigos, verificamos a sua fragilidade, não apenas perante seus executores, mas também entre seus próprios legisladores. Portanto, a instabilidade do código afasta os homens de segui-lo e respeitá-lo.

 3 - A falta de obediência e a falta de execução por parte das nações e dos indivíduos ao código,

Por mais que o homem alcance o conhecimento e a civilização, ele continua servo de seus benefícios e necessidades. Se o homem julgar que tem poder, e que, contrariando um dos artigos do código, aufere benefícios, ele é o primeiro a contrariá-lo, mesmo que tenha sido ele o seu autor.

Se olharmos acuradamente ao nosso redor, verificamos que, em todas as nações, em nível individual ou em nível governamental, ou em nível internacional, o poder é tudo e o código só é aplicado aos fracos.

Os tiranos, por exemplo - e quão numerosos são nesta época - aplicam, acaso, o código a favor da justiça, e em seu próprio detrimento?

Mesmo as nações, na maior parte das organizações mundiais, corno a Assembléia das Nações Unidas e o Fórum Internacional, não se apegam ao código. E se apegam, não o executam. Aquele que quiser presenciar a falência do código mundial, de como ele é dilacerado mais de uma vez por dia, que assista às sessões dessas organizações.

É, acaso, justo que um homem seja julgado por ter aumentado o som de seu rádio, perturbando assim o sossego dos outros, e um grupo poderoso não seja julgado por invadir um país, expulsando seus habitantes, com a ajuda das grandes potências?

Não é sarcástico dizer que o código serve para controlar os comportamentos e as atividades do homem?

É justo julgarmos um homem que deixou de limpar a calçada de sua casa, e não julgarmos uma grande nação por usurpar a liberdade, as terras e as produções de um povo?

Não estaria o homem se ridicularizando quando cria um código que só é aplicado aos fracos; e mesmo estes, só o respeitam por receiarem uma série de punições. Se eles pudessem escapar dessas punições, seriam os primeiros a transgredi-lo.

4 - A inabrangência do código ao lado espiritual do homem. O homem não é apenas corpo, mas é corpo e alma. O lado espiritual do homem é a sua parte mais nobre. A negligência desse lado é a aniquilação da personalidade do homem.

Se esta personalidade for aniquilada, seus comportamentos passarão a se assemelhar aos comportamentos dos animais irracionais, talvez em plano inferior e estes, porque o animal irracional foi criado com consciência que se limita a seus instintos.

O homem, porém, que negligencia o seu lado espiritual não se submete a costumes, nem a tradições, nem a códigos, a menos que tema em incorrer em suas severas punições,

Se a incapacidade do código é evidente quanto ao controle do comportamento e da atividade do homem, ele nada consegue oferecer em relação ao lado espiritual do homem, porque esse lado não se fortalece, nem se desenvolve no homem, a não ser com as leis de Quem agraciou a alma ao homem, Que é Deus.

5 - A proliferação das guerras e dos crimes é prova da inadequabilidade do código para o controle do comportamento do homem.

O historiador americano, Will Durant, diz: "Durante os últimos 3421 anos só conhecemos a paz durante 268 anos, e não foi uma paz completa, mas tentativas de cessar-fogo e negociações para se conseguir um armistício. Na verdade, se olharmos ao nosso redor, vemos que o fogo das guerras nem bem foi apagado em um lugar, é ateado em outro, corno se os homens fossem criados para a guerra e a destruição. Se analisarmos a coisa em nível nacional, vemos que o homem não está seguro de si, nem de seus bens, nem de sua família, nem de sua liberdade de opinião, nem de sua dignidade. O homem, nos países comunistas, por exemplo, não tem opinião, nem nada que demonstre que é ser humano. Foi-lhe tudo arrebatado, mesmo a expressão de sua existência. Os assaltantes e os criminosos abundam em todos os lugares, atacando a todos e, ocasionalmente, aterrorizando os próprios governantes. Os traficantes de entorpecentes tomaram o poder de alguns países e os crimes são cometidos perante as pessoas, sem que ninguém consiga fazer nada. Milhares de pessoas foram chacinadas em muitos países, por terem demonstrado a sua opinião."

Não é isso, prova, da inadequabilidade do código para controlar o comportamento e a atividade do homem?  



001-voltar.gif (2013 bytes)

002-seguir.gif (2004 bytes)