O
Critério do Desenvolvimento Moral
Depois de termos exposto uma abordagem do Islam, tentaremos analisar o critério que o Islam fornece para se julgar o desenvolvimento ou a decadência da alma. A resposta a esta pergunta reside no conceito de Khilafa, que atrás mencionamos.
Na sua qualidade de Califa (vice-gerente) de Deus, o homem é responsável perante Ele por todas as suas atividades. O seu dever é utilizar todas as energias com as quais foi dotado, e todos os meios postos ao seu alcance neste mundo, de acordo com a vontade Divina.
Ele tem que aproveitar o mais possível às faculdades e potencialidades
que lhe foram concedidas, para procurar a aprovação de Deus. No seu trato com
outros seres humanos, deverá tomar uma atitude aprovada por Deus. Resumindo,
todos os seus esforços e as suas energias deverão concentrar-se na solução
dos problemas deste mundo da maneira como Deus quer que eles sejam resolvidos.
Quem cumprir esta função com sentido de responsabilidade, obediência
e humildade, e no intuito de procurar o agrado de Deus, mais se aproximará do
seu Senhor. No Islam, o desenvolvimento espiritual é sinônimo de proximidade
de Deus. Da mesma maneira, quem for preguiçoso, indolente, infrator, rebelde e
desobediente, ficará longe de Deus; e ficar longe de Deus significa no Islam
queda e decadência espiritual do homem.
Esta explicação deve mostrar com clareza que, do ponto de vista islâmico, a esfera de atividade de um homem devoto e religioso é idêntica à dum homem mundano no pensamento. Os dois trabalham no mesmo campo de atividade, só que um homem religioso trabalhará com mais entusiasmo do que um homem com mentalidade laica.
O homem religioso será tão ativo como o irreligioso, ou ainda mais ativo, nas funções da vida doméstica e social, que tanto abrangem o lar como o mercado ou as conferências internacionais. Claro que o que diferenciará as suas ações será a natureza das relações com Deus e o objetivo que cada um tem em vista.
Tudo quanto um homem religioso faz, fá-lo-á com o sentimento da responsabilidade perante Deus, e no intuito de obter o agrado divino, em conformidade com as leis que Deus concebeu e lhe mandou. Ao contrário, um ateu será irresponsável e indiferente a Deus, e será guiado nas suas ações apenas por motivos pessoais.
Esta diferença faz com que a vida material dum homem religioso seja toda ela uma experiência puramente espiritual, enquanto a vida inteira do homem ateu será privada de qualquer traço de espiritualidade.