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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!


 O Destino

O homem que não se olha, nem olha o que está ao seu redor, não pode conhecer a sua realidade nem a realidade do que o rodeia. E aquele que se desconhece a si próprio e ignora se Possui um papel determinado na vida, está na verdade morto, mesmo que esteja comendo e bebendo, a exemplo de seus semelhantes.

Para que o homem se conheça e se beneficie de sua existência nesta vida, deixando vestígios que provam a sua existência, deve analisar-se primeiramente, sem restringir seus pensamentos ao seu presente e ao seu futuro apenas, mas também deve pensar prolongadamente em sua família e em seu destino.

O pensamento sadio nos indica que cada alma tem um papel nesta vida, dentro de um limite prefixado, porque Deus não criou ninguém na face da terra para eternizá-lo nela.

A morte é inevitável e ninguém pode negá-la, Profetas, líderes, eminentes, reis, presidentes, chefes, ricos, pobres, fortes, fracos, sadios, doentes, todos, quando chega a sua hora, morrem, encerrando seu papel nesta vida. Diz Deus:

"Cada ser provará o sabor da morte" (Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 185).

E diz:

"Não é dado a nenhum ser morrer sem a vontade de Deus; é um destino prefixado"
(Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 145).

 E diz ainda:

 "Jamais concedemos imortalidade a ser humano algum anterior a ti. Porventura, se tu morresses, seriam eles imortais" (Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 34).

A morte é uma verdade incontestável, que todos atestam, reconhecem e acreditam. Se a morte, que o homem presencia, encerra o papel dele nesta vida, qual é o seu destino após a morte?
Acabará a sua existência com a morte?
Ou a morte é o meio de transição do homem de uma vida para outra, diferente desta?
Devemos aqui pensar prolongadamente. A primeira coisa em que devemos pensar prolongadamente é a respeito, para chegarmos a uma conclusão neste assunto, é quem criou o homem?
Quem lhe criou a terra sobre a qual vive?
Quem lhe submeteu o que há nos céus e na terra?
E Quem lhe enviou os profetas?
Todos os sábios que fizeram da verdade o seu ideal, concordam que quem criou tudo isto e o aperfeiçoou é Deus. E se foi Deus Quem criou o homem e o agraciou com o intelecto, enviou-lhe os Profetas, deixou, acaso, Deus o homem com seu intelecto, de tal modo que ele possa traçar um determinado sistema, com a aplicação do qual o homem consiga a sua segurança?
Ou Deus traçou um determinado sistema, manifestado por intermédio de Seus Profetas, que o homem deve seguir?
Para descobrirmos a verdade, devemos conhecer a capacidade intelectual do homem e o limite do círculo em que ele pode atuar. Pode o intelecto apresentar um sistema que efetive a segurança e a prosperidade do homem ou não?

Sabemos que o cérebro tem um grande papel efetivo na vida do homem. E nós não podemos negar o fato de que sem cérebro, o homem perde a sua capacidade humana, deixando de ter as obrigações e responsabilidades que os outros têm.

Esse grande papel do cérebro, porém, tem limites. Se cio atuar além dos limites que lhe foram determinados, falhará indubitavelmente. O mesmo caso não se dá apenas com o cérebro. Acontece corri tudo que Deus criou.

Se usarmos o olho, por exemplo, para a audição, estaríamos desviando-o da função que lhe foi traçada e estaria fadado a falhar. O mesmo se dá com qualquer órgão, se quisermos utilizá-lo fora de suas funções.

Para conhecermos as aptidões do cérebro, devemos saber que ele não possui autoridade absoluta sobre tudo. Sua função se restringe aos sentidos, porque ele nada pode resolver sem os nossos cinco sentidos.

Ele não consegue ver nenhuma cor sem o auxilio da vista; não consegue ouvir nenhum som sem o auxílio da audição; não consegue sentir se algo é liso ou fosco sem o auxílio do tato. Então, o campo do cérebro são os sentidos apenas, não podendo transgredi-los, porque ele adquire conhecimentos através desses sentidos.

Na incapacidade desses sentidos de fornecerem as informações ao cérebro, causada por uma anomalia qualquer, ele se torna incapaz de decidir algo. As ciências, corno a medicina, a engenharia, a agricultura, a indústria, etc., bem como as atividades materiais formam o escopo do cérebro e sua área de especialização.

Se transgredir esta área, se desencaminhará. Com base nisso, a religião, como crença, rituais, relacionamentos, moral, e leis, sendo o sistema que Deus traçou para Seus servos seguirem, está fora do escopo do cérebro, e não faz parte de sua especialização, e por isso, o cérebro não pode decidir sobre a ordem de Deus, ou sobre uma de Suas leis, porque a religião é de Deus, Que criou o homem e, sabe o que lhe é benéfico nesta vida e na outra. É inconcebível que o cérebro, sendo criado, julgue as leis do Criador.

A religião, como crença, porém, sendo a fé em Deus, em Seus anjos, em Seus Livros, em Seus Profetas e no Dia do Juízo Final, não é conhecida através do cérebro. Como pode ser conhecida então?

Dizemos que a crença em Deus, Seus Anjos, Seus Livros, Seus Profetas, e o Dia do Juízo Final é um mistério, cuja esfera o cérebro não pode penetrar. Para crermos nisso, porém, temos dois caminhos a seguir:

1 - Crermos por intermédio do cérebro, com a condição de o usarmos na sua área de especialização.

2 - Crermos por intermédio da transmissão ou da lei. Falaremos sobre o primeiro prolongadamente para esclarecê-lo. Tudo que interessa ao pesquisador, nos assuntos da crença, são duas coisas: A crença em Deus e a crença de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.

Aceitar ambas as crenças é crer que a religião que Deus escolheu para Seus servos crentes é o Islam. Se o homem crer no Deus único, Criador e Harmonizador de tudo, e crer que Muhammad é o Mensageiro de Deus, e que tudo que ele apresentou é a verdade, deve, então, acreditar e se sujeitar a tudo que a doutrina prega, quer seja do lado da fé, dos rituais, dos relacionamentos, da moral, das leis e dos julgamentos.

A crença nos anjos, nos Livros, nos profetas e no Dia do Juízo Final é o complemento da crença em Deus e da aceitação do Profeta. Daí, devemos nos firmar na crença em Deus e na aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.

1 - A crença em Deus: Mostramos que o círculo de especialização do cérebro são as coisas materiais, não podendo ultrapassá-lo. Se o fizer, desencaminhar-se-a. Mostramos também que Deus está além da matéria, ''não possui semelhantes e Ele é o Oniouvinte, o Onividente".

Se Deus está além da matéria, círculo de especialização do cérebro, como o cérebro pode conhecer a Deus, que é único, que não possui semelhantes e é o Criador de tudo?

Não desejamos que o cérebro pesquise sobre a Identidade de Deus, nem sobre Seus atributos, pesquisar sobre isso é ultrapassar os limites do cérebro, e isto está além de sua capacidade e aptidão.

O que desejamos é que o cérebro pense nos sinais dos atributos de Deus, que vemos e tocamos: os céus, terra, astros, sol, luz, noite, dia, nuvens, água, rios, mares, seres humanos, animais, vegetais, etc...

Se o homem pensar em si ou no que o rodeia, chegará com seu cérebro à conclusão de que todas as criaturas, seres e coisas, com tudo que contêm de maravilhoso, preciso, organizado, devem ter um Criador, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo; Seus são os atributos mais sublimes, e não possui semelhantes.

É o Criador único. É isso que pedimos. O cérebro, apesar de ser o verdadeiro veículo para se conhecer e se crer em Deus, só pode ser usado, como vimos, nos limites de seu círculo de especialização: A pesquisa nos sinais do Poder de Deus, para alcançarmos a crença no Deus único, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo.  

2 - A aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus: O intelecto não pode aceitar a veracidade de uma proposição se não houver uma prova de sua veracidade. E a prova de que Muhammad é o Mensageiro de Deus é o Alcorão Sagrado, revelado por Deus a ele. O Alcorão é a palavra de Deus, onde foram desafiados gênios e humanos à comporem algo semelhante a ele.

Eles foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor apenas dez Suratas iguais às dele, e também foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor uma só Surata, e ainda assim foram incapazes. Diz Deus:

"E se tendes dúvida a respeito do que temos revelado a Nosso servo (Muhammad), componde uma surata semelhante às dele (o Alcorão), e apresentar vossas testemunhas independentemente de Deus se sois verazes. Porém, se não o fizerdes - e certamente não podereis fazê-lo - temei, então, o fogo infernal cujo alimento serão os idólatras e os ídolos; fogo que está preparado para os incrédulos" (Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 23-24).

Se o homem foi incapaz de compor uma só Surata semelhante às do Alcorão, então isto confirma que o Alcorão é a palavra de Deus e que Muhammad é o Mensageiro de Deus.

Portanto, se é corroborado que Deus é Único, não possui semelhantes, Criador e Harmonizador de tudo, como mostramos acima, e é corroborado que Muhammad é o Mensageiro de Deus, então é dever do homem crer em Deus e em Seu Mensageiro, adotando tudo que deles provêm, quer seja no campo da crença, dos rituais, dos relacionamentos, ou no campo da lei, dos julgamentos ou da moral.

Tudo isto forma o sistema Divino que o homem deve seguir durante sua vida. Por isso, Deus não abandonou os homens com seus cérebros, devido à sua incapacidade de traçar um sistema propício com o qual o homem possa adaptar a liberdade, a igualdade, a estabilidade, o amor, a fraternidade neste mundo e a felicidade perene na outra vida.

Esta incapacidade resulta das seguintes causas:

1 - A submissão do cérebro aos sentidas. E como o homem é formado de corpo e espírito, o cérebro é incapaz de traçar um sistema completo, material e espiritualmente, porque o lado espiritual no homem está fora do circulo de especialização do cérebro.

2 - A diferença que existe entre os cérebros dos homens e a sua capacidade. Podem alguns considerar uma coisa certa, enquanto outros a consideram errada. Com isso se diferenciam as avaliações e cada grupo seguiria o rumo que achasse conveniente.

3 - A falta de constância do cérebro ao julgar uma determinada coisa. Ele chega a urna conclusão, e então se retrai e muda o seu julgamento anterior.

4 - A submissão do cérebro ao ambiente em que o homem vive. Assim, vemos aqueles que vivem em países comunistas considerarem o seu sistema ideal, o os que vivem em países capitalistas vêm que o seu sistema é o melhor.

5 - O rápido insucesso experimentado pelos seres humanos ao abandonarem o sistema Divino e seguirem o que inventaram de códigos e leis faz com que, a todo instante, declarem a sua insuficiência. O que são, então, o medo, a instabilidade, as guerras, as destruições e a eliminação da personalidade, da liberdade e da dignidade do homem em todas as partes da terra, senão o resultado desse abandono?

Depois dessa exposição, podemos afirmar que o cérebro humano é a extraordinária dádiva que Deus deu ao homem. Com ele, Deus preferiu o homem à maior parte de Suas criaturas, dando-lhe um papel importante na construção e desenvolvimento material da terra. Porém, não possui nenhuma função na constituição do sistema Divino para a vida do homem neste mundo.

O sistema é o de Deus, Que enviou Seus profetas com ele. Disso concluímos que Deus não abandonou o homem com o seu cérebro, mas enviou para cada povo um mensageiro, com um sistema ortodoxo que deveriam seguir. Se o cérebro do homem fosse suficiente para traçar-lhe um sistema que lhe garantisse a sua segurança, Deus não teria enviado nenhum de seus profetas.

Com isso perguntamos: Adotaram, acaso, todos os homens, o sistema Divino?

A realidade atesta que a maior parte dos homens ignorou esse sistema, e não exageramos se dissermos que a maioria dos homens não é crente. Essa afirmativa não é nossa, mas é o testemunho de Deus sobre seus servos. Deus diz:

"Porém, a maioria dos humanos, por mais que anseies jamais crerá.'' (Alcorão Sagrado, 12ª Surata, versículo 103).

Se a maior parte dos homens ignorou o sistema Divino, quando Deus é o Criador, o Agraciante, Quem dá a vida e a morte, e Quem ressuscitará os mortos e Suas mercês para com os humanos são incomensuráveis, seria justo que Deus considerasse iguais aqueles que sequem o seu sistema e os que não o sequem?
Ou os benfeitores e os malfeitores?
Seria justo que Deus considerasse iguais os que sequem a verdade e os que sequem a falsidade?
Seria justo que a existência do homem se encerrasse após a morte, sem a punição do iníquo e sem a recompensa do benfeitor, sem julgar as divergências dos homens?

Todos os homens que possuem cérebros perfeitos, consciências vivas, visão penetrante confessam que deve haver um pagamento aos homens pelo que cometeram nesta vida, o bem com o bem e o mal com o mal. Deus diz:

 "Poderá, acaso, equiparar-se ao crente o ímpio? Jamais se equipararão". (Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículo 18).

 E diz:

"E não foi em vão que criamos os céus e a terra e quanto existe entre ambos! Esta é a conjectura dos incrédulos Ai, pois, dos incrédulos por causa do fogo (infernal)! Porventura, trataremos os crentes que praticam o bem como aos corruptores na terra? Ou então trataremos os tementes como aos ignóbeis?'' (Alcorão Sagrado, 38ª Surata, versículo 27-28).

E diz, ainda:

"A revelação do livro é de Deus, o Poderoso, o Prudentíssimo". (Alcorão Sagrado, 45ª Surata, versículo 2).

 E se não é direita nem justa a igualdade entre o crente e o descrente, entre o obediente e o desobediente, entre o benfeitor e o malfeitor, então deve haver uma outra vida em que os direitos ou seus equivalentes serão devolvidos a seus donos, em que cada um terá os frutos de seus atos na vida terrena.

A outra vida, apesar de que todas as religiões e algumas filosofias a admitirem, é a demanda dos homens inteligentes. Nela é estabelecido o destino do homem. Os crentes terão os Jardins de Éden, onde permanecerão eternamente, e os incrédulos terão o inferno, onde permanecerão eternamente. Deus diz:

"E os incrédulos serão arrastados, em grupos, até o inferno, até que, quando chegarem a ele, abrir-se-ão suas portas e seus guardiães lhos dirão: Acaso, não vos foram apresentados apóstolos de vossa estirpe, que vos ditaram os versículos de vosso Senhor e vos admoestaram do comparecimento deste dia? Dirão: Sim! Então, o decreto do castigo recairá sobre os incrédulos. Em troca os tementes serão conduzidos, em grupos, até o Paraíso e, lá chegando, abrir-se-ão suas portas e seus guardiães lhes dirão: Que a paz esteja convosco ! Quão excelente é o que fizestes ! Adentrai-o, pois! Aqui permanecereis eternamente!"

Quando chegar a Hora e o Juízo Final for instituído, a eternização no Paraíso e no inferno, será o acontecimento mais importante da outra vida. E no Paraíso ou no Inferno estará o Destino do homem. 



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