- Em Nome de Deus, O Clemente, O
Misericordioso!
O
Islam nas Raízes do Brasil
No Brasil o fenômeno do
negro muçulmano é um dos fatos mais curiosos da história social brasileira, muçulmanos
eram os negros Sudaneses, com aqueles oriundos de mestiçados berberes, que destruíram o
império de Ghana, já no fim do século XVII os Mandingas acabaram representando
sensível coeficiente no conjunto dos escravos do Brasil.
Assim os descreve Arthur
Ramos em sua obra:
''Eram
altos, robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como os outros negros muçulmanos, um
pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros
escravos.''
Eram os
responsáveis pêlos movimentos de libertação do negros escravos no Brasil,
eram grandes guerreiros uma herança social que carregavam com sigo, devido as batalhas
pela religião Islâmica, que asseguravam na África o domínio total do Islam.
Eram
denominados de Males, mas também eram conhecidos pôr Mucuim, Muxurimim, Muçulimi,
Muçurumi, eram totalmente monoteístas, não eram idólatras, usavam amuletos com
versículos do Alcorão Sagrado, escritos em Árabe, possuíam conselheiros ou juizes
chamados de Alufas, a quem ouviam e respeitavam.
Foram
responsáveis pelas revoltas de escravos negros no Brasil, em 1807, 1809, 1813,
1816, 1827 e a guerra dos Malês em 1835, os quais sabiam a língua Árabe.
Quem melhor os
estudou foi Nina Rodrigues, através de seus estudos, descobriu-se que vieram da
África pregadores para lhes ensinar a leitura em Árabe do Alcorão Sagrado, lutaram
sempre contra os ensinamentos da igreja católica.
O chefe de polícia da
época, o Visconde de São Leopoldo, afirmou que:
''A
insurreição estava tramada há muito tempo, num plano superior ao que sabíamos de sua
brutalidade e ignorância. Em geral, todos sabem ler e escrever em caracteres
desconhecidos ( o Árabe no caso), que se assemelham ao Árabe, tinham mestres que davam
lições e tratavam de organizar a insurreição na qual entravam muitos forros africanos
e até ricos. Têm sido encontrados muitos livros, alguns dos quais dizem ser preceitos
religiosos, tirados de misturas de seitas, principalmente do Alcorão Sagrado.''
Nina
Rodrigues mandou traduzir alguns papéis encontrados entres eles, ao qual a origem Árabe
é clara, os quais foram traduzidos como veremos a seguir:
- ''Em Nome de Deus, O Clemente, O
Misericordioso ! Derrama-se a Benção de Deus sobre o nosso mestre Muhammad, sobre a sua
família os seus companheiros, bem assim como a saudação.''
-
E a seguir:
''Obedeço a ordem do Senhor
Misericordioso''
E ainda:
''Ali, Gabriel, Muhammad, José,
Ismael, Salomão, Moisés, Davi e Jesus''
Em outra
peça, no verso uma estrela e em cada raio a palavra ''Muhammad''.
Em um
canto:
''Em Nome de Deus, O Clemente, O
Misericordioso!''
Em outra
peça uma Surata do Alcorão Sagrado, repetida seis vezes:
Pelo
convênio dos coraixitas,
O convênio das viagens de inverno
e de verão!
Que adorem o Senhor desta Casa!
Que os provê contra a fome e os
salvaguarda do temor!
(Surata de nº 106 do
Alcorão Sagrado, '' Os Coraixitas'')
Trecho de um documento dos malês Museu Histórico
da Bahia
Manuel
Quirino descreve-lhes a oração:
- ''Recolhiam-se os Malês cedo aos
seus aposentos de dormir, pois que em geral o africano não se expõe ao sereno; as quatro
horas da manhã levantavam-se para fazer sala (salat em Árabe, que significa oração),
que é a oração da manhã e da noite.''
Praticavam este cerimonial
deste modo:
''Sem trocar
palavra com alguém, lavavam o rosto, as mãos, a planta dos pés, sentavam-se na água,
vestiam camisa comprida, calças, enfiavam um gorro com borla caída, tudo de algodão bem
alvo e munidos de um rosário, a teceda de cinqüenta centímetros de comprimento, tendo
99 contas de madeira, terminado pôr uma bola em vez de uma cruz, davam começo a oração
de pé sobre uma pele de carneiro.
- Os homens colocavam-se à frente
das mulheres, quando rezavam pelas contas menores de seu rosário, conservavam-se
sentados; passando as maiores, equivalente aos padre-nossos, levantavam-se.
- Nessa ocasião, com as mãos
abertas e tendo o corpo inclinado em demonstração de reverência, diziam:
''Ala
Alla u Acubari'', em Árabe correto ''Allahu Akbar'', ''Deus é o Maior''.
Em seguida
levantavam os olhos para o alto e baixavam, com um gesto de saudação; com as mãos sobre
os joelhos faziam o sinal de continência com a cabeça; proferiam certas palavras e
sentavam-se ao de lado, continuando a rezar pelas contas menores.
Quem podia
efetuava, esse exercício cinco vezes pôr dia:
1º
Açuba;
2º Ali lá;
3ºAA a sari;
4º Ali mangaribá;
5º Adixá
Em
Árabe correto:
1º
Fajar
2º Zohar
3º Asr
4º Maghrib
5º Icha
Finalizando a oração diziam ''Aliramudolilai'' em Árabe correto ''Alhamidu Lillah'', ''Louvado Seja Deus'', sempre como se vê em Árabe corrompido, a qualquer ato que o Malê
tinha que praticar antecedia-o a expressão, como fazem os Árabes, ''Bisimilá'', em Árabe correto
''Bismillah'' que significa, ''Em Nome de Deus''.
Ao fim diziam uns
aos outros:
''Barica
da subá'' ( Deus lhe dê um bom dia). O lugar em que se praticavam este ato chamava-se ''Maçalasi''.''
Em Árabe
''Masjid'', ''Mesquita'' em português, local de oração dos muçulmanos.

Manuel
Quirino, mostra as identidades de hábitos com os negros muçulmanos, no tocante a
indumentária, às cerimônias, como as do casamento e circuncisão.
As
revoltas dos negros muçulmanos no Brasil eram um reflexo do ''Jihad Fi Sabilillah'',
esforço pela causa de Deus, realizadas pelas sua tribos na África muçulmana.
Dos levantes que mais
transtornaram os governantes do Brasil, antes da Proclamação da Independência, até o
período da Proclamação da República, os designados como Revolta dos Malês, e, em
especial, a de 1835, são os de maior destaque.
Muito mais do que esses
fatos existe para ser resgatado da Verdade da História do Brasil e da Humanidade.