
No
ano 632 (11Hégira), o Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) exalou o último suspiro. Durante
os vinte e três anos anteriores, ele tinha obtido êxito, num imenso esforço
para formar uma religião e criar um Estado do nada, o qual, começando como uma
pequena Cidade-Estado, terminou por açambarcar, no curto espaço de dez anos, a
administração de toda a Península Arábica, junto com algumas partes do sul
da Palestina e do Iraque. Fora isso, ele deixava uma comunidade, composta por várias
centenas de milhares de adeptos, possuidores de plena fé e convicção em suas
doutrinas, e capazes de continuar o trabalho que ele iniciara.
O
sucesso temporal do Profeta do Islam estimulou alguns aventureiros, nos
derradeiros anos da sua vida, a se intitularem profetas. Por vários meses, após
a morte do Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), a tarefa do seu sucessor, Abu
Bakr, consistiu em suprimir esses impostores, que, encorajados pela morte do
Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), tinham conseguido aliciar
algumas pessoas.
No
momento da morte do Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), havia um estado de guerra com os
Bizântinos, e outro quase igual com os Persas.
Relembraremos
que um embaixador muçulmano havia sido assassinado, em território bizantino, e
que ao invés de fazer as devidas reparações, o imperador não só havia
rejeitado todas as opções, propostas pelo Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), como havia ordenado a intervenção
militar, para proteger o assassino da expedição punitiva, enviada pelos muçulmanos.
Quanto
à Pérsia, já há alguns anos ocorriam escaramuças sangrentas, entre essa nação
e os protetorados da Arábia; algumas das tribos que habitavam essas regiões
tinham-se convertido ao Islam. Os atos de agressão e repressão, por parte dos
persas, não poderiam ser deixados sem resposta, sem provocar complicações, em
escala internacional.
Deve-se
ter em mente que os Impérios Bizantino e Sassânida constituíam, na época, os
dois grandes poderes do mundo, enquanto que os árabes não possuíam nada que
fosse invejável, sendo vistos, ainda, como um bando de nômades, destituídos
de armamento militar e de recursos materiais.
Com
uma coragem e temeridade de espírito que nunca será suficientemente admirada,
o Califa Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) empreendeu uma guerra
contra esses dois grandes poderes, ao mesmo tempo. No primeiro confronto, os muçulmanos
ocuparam determinadas regiões da fronteira.
Então,
o califa enviou uma embaixada a Constantinopla, para tentar uma solução pacífica,
o que foi em vão. A derrota do comandante em Cesaréia, entretanto, alarmou o
imperador, e ele alistou novas tropas.
Abu
Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) julgou necessário transferir certos
elementos do exército muçulmano da frente no Iraque (Império Persa), para a Síria.
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Expansão do Islam sobre o califado de Abu Bakr.
Em
634, uma nova vitória foi obtida, em Ajnadin, próximo a Jerusalém, seguida de
perto por outra, em Pihl; como resultado delas, a Palestina foi definitivamente
perdida por Bizâncio. O Califa Abu Bakr morreu nessa época, e seu sucessor,
Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), não teve outra alternativa, senão a
de continuar essa tarefa.
Não
demorou muito e Damasco, e em seguida Êmeso (Hims), no norte da Síria, abriram
os seus portões aos muçulmanos. Os fatos mostram que os povos dessas regiões
receberam os muçulmanos, não como conquistadores e inimigos, mas como
libertadores.
Após
a tomada de Êmeso, os esforços concentrados finais, do Imperador Heráclito,
obrigaram os muçulmanos a evacuar a cidade e algumas outras regiões, com o
propósito de melhor reagrupar e organizar as suas forças.
Quando
foi decidida a evacuação, o comandante muçulmano mandou que todos os
tributos, recolhidos do povo daquela localidade, todos não-muçulmanos, lhe
fossem devolvidos, uma vez que não cabia mais a cobrança de tributos, já que
não era mais possível oferecer proteção àqueles súditos. Não é de
surpreender, portanto, que os vencidos derramassem lágrimas, ao ver os seus
melhores conquistadores serem obrigados a se retirar. De Goeje escreve que:
"Na
verdade, a disposição dos homens da Síria era muita favorável para com os árabes,
e eles a mereciam, uma vez que a brandura com que trataram os vencidos
contrastava fortemente com a tirania rígida, que lhes era infligida pelos
senhores anteriores (bizantinos).''
Logo
após a sua retirada tática, os muçulmanos voltaram, com mais forças e
popularidade. O destino da Pérsia não foi muito diferente. As primeiras incursões
levaram à ocupação de Hira (atual Kufa) e de algumas outras localidades
fortificadas. A partida de alguns destacamentos para a Síria criou uma calma
momentânea.
Porém
poucos meses depois o conflito recomeçou, e a capital, Madain (Ctesiphon), foi
facilmente ocupada. O Imperador Yazdgird pediu ajuda ao Imperador da China, ao
rei do Turquestão e a outros príncipes vizinhos, mas a ajuda que recebeu não
serviu às suas necessidades, e seus aliados também sofreram grandes perdas.
Durante
o tempo de Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) , os muçulmanos reinaram
de Tripoli (Líbia) a Balkh (no Afeganistão) e da Armênia ao Sind e a Gujerae
(na Índia), e sobre as nações que ficavam no seu caminho, tais como a Síria,
o Iraque, o Irã, etc.
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Expansão do Islam durante o Califado de Umar.
Sob
o seu sucessor, Uthman (que Deus esteja satisfeito com ele), eles tornaram-se
senhores da Núbia, até aos arredores de Dongola, e também ocuparam uma parte
da Andaluzia (Espanha); no Oriente, atravessaram o rio Oxus (Laihun) e tomaram
alguns territórios dos chineses.
As
ilhas de Chipre, Rodes e Creta tomaram-se parte das terras do Islam; e até
Constantinopla experimentou um primeiro ataque muçulmano. Pouco mais do que
quinze anos haviam transcorrido, desde a morte do Profeta, quando a expansão muçulmana,
no eixo Leste-Oeste, se estendeu do Atlântico até às costas do Pacífico, e
foi ocupada uma área que era tão grande quanto o continente europeu inteiro.
Nessa
"conquista-relâmpago", o que é mais surpreendente é que em nenhum
lugar os povos conquistados reclamavam. Isto também é comprovado pelo fato de
que, no ano 656, quando os muçulmanos se viram divididos pela sua primeira
guerra civil, não houve revoltas locais, e o imperador bizantino não pôde
contar com nenhum dos seus súditos anteriores, tendo que se contentar com uma
pequena indenização, que lhe foi prometida pelo cauteloso governador muçulmano
da Síria, em troca da sua neutralidade.
Seria
um erro atribuir essa rápida expansão a qualquer causa isolada. O
enfraquecimento dos Impérios Bizantino e Sassânida resultou dos conflitos mútuos,
compensando a falta de equipamento bélico, organização e outros recursos
materiais dos conquistadores árabes.
Os
muçulmanos não podiam se espalhar em massa, da China à Espanha, e não havia
árabes suficientes para distribuir por todo esse vasto território. Já vimos
que as causas originais dessas guerras foram políticas; não houve qualquer
desejo de impor a religião pela força, ainda mais que a sua religião proibia,
formalmente, sequer pensar nisso.
A
história também nos mostra que nessa época não foi sequer empregada qualquer
compulsão, para converter os povos subjugados. A simplicidade e a racionalidade
da sua doutrina religiosa, junto com o exemplo de vida prática dos muçulmanos,
foi, sem dúvida, o que atraiu adeptos.
A
pilhagem ou os ganhos econômicos seriam motivos ainda mais pobres para explicar
a velocidade das conquistas; por outro lado, a troca de senhores foi saudada,
pelos vencidos, como uma mudança para melhor.
Os
documentos administrativos contemporâneos, escritos em papiros, recentemente
descobertos no Egito, atestam o fato de que os árabes tinham aliviado em muito
a carga de tributos, no Egito, e parece certo que reformas idênticas foram
introduzidas em todos os países conquistados.
O
custo da administração também foi bastante reduzido, em conseqüência, não
apenas da frugalidade da vida dos árabes, mas também da honestidade dos
administradores muçulmanos.
Os
despojos de guerra não pertencem, no Islam, aos soldados que os tomam, mas ao
governo, e é este que, por fim, o distribui entre os componentes da expedição,
em proporções fixadas por lei.
O
Califa Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) ficava constantemente surpreso
com a honestidade dos soldados e dos oficiais, que entregavam até pedras
preciosas e outros objetos de valor, que poderiam ter sido facilmente
escondidos.
Podemos
concluir esta parte, citando um documento contemporâneo cristão. Este se
refere a uma carta de um bispo nestoriano, endereçada a um amigo dele, que foi
preservada (Assemani, Bibl. Orient,
111, 2, p. 96):
"Esses
tayitas (árabes), a quem Deus concedeu a dominação, nestes nossos dias, também
se tornaram nossos senhores; entretanto, eles não combatem a religião cristã
de nenhum modo; pelo contrário, até protegem a nossa fé, respeitam os nossos
sacerdotes e os nossos santos, e fazem doações às nossas igrejas e
conventos."
Após
o assassinato do califa Uthman (que Deus esteja satisfeito com ele), o novo
indicado ao califado foi ‘Ali (que Deus esteja satisfeito com ele) que era
primo e genro do Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), homem de grande sabedoria e
muito piedoso, teve alguns problemas par normalizar a situação do Estado muçulmano,
devido a morte do califa Uthman (que Deus esteja satisfeito com ele), mais com
grande sabedoria soube contornar estes problemas e estabilizou o Estado muçulmano.
Numa
manhã, quando Ali estava orando na mesquita, um fanático golpeou-o com uma
espada envenenada, e no vigésimo dia do mês de Ramadan, ‘Ali (que Deus
esteja satisfeito com ele) morreu, com ele termina o período dos Califas Probos
(Khulafa Rashidun).
Quando falamos em estado islâmico,
estamos nos referindo ao período da história islâmica em que os princípios e
as instruções do Islam foram totalmente aplicados em seu verdadeiro sentido.
Esse período começa em 622 d.C, quando o Profeta Muhammad
(que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele),
estabeleceu o primeiro estado islâmico na cidade de
Madina.
Depois de sua morte, os quatro primeiros califas que se seguiram (Abu Bakr, Umar, Uthman e ‘Ali), aplicaram em sua totalidade todos aqueles princípios islâmicos.
O período que se seguiu e que se estende até os dias atuais, podemos dizer que o sistema islâmico autêntico se modificou, transformando-se em monarquias, sem a participação popular na escolha de seus governantes, são sistemas hereditários, semelhantes aos tempos pré-islâmicos, baseados no sistema tribal e consangüíneo. O Islam não reconhece esses governos e sequer pode ser responsabilizado por eles.
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